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Equipe de químicos e biólogos desenvolve teste rápido para COVID-19

Universidade Federal de Goiás trabalha em método de diagnóstico capaz de detectar a presença do novo coronavírus no paciente desde o primeiro dia dos sintomas

 

Uma equipe de professores dos Institutos de Química e de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) trabalha no desenvolvimento de um novo tipo de teste rápido para detecção da Covid-19 há pouco mais de três meses. A técnica, chamada de RT-LAMP, é um modo de amplificação de DNA, assim como o teste RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa), técnica confiável para diagnosticar a COVID-19. Porém, o processo que a equipe está utilizando para amplificar o material genético do vírus torna o teste mais simples, barato e rápido.

Universidade Federal de Goiás trabalha em método de diagnóstico capaz de detectar a presença do coronavírus no paciente desde o primeiro dia dos sintomas

A professora do Instituto de Química da UFG Gabriela Duarte explica que as vantagens são muitas. “A técnica RT-LAMP é 10 mil vezes mais sensível que o PCR. Ela detecta a presença do RNA do vírus desde o início e pode permitir um tratamento adequado rapidamente e o isolamento do paciente de modo a conter a transmissão do vírus para outras pessoas. O custo é cerca de 40 vezes menor do que o PCR, além de não necessitar de instrumentação cara, pois a reação ocorre em temperatura constante”.

A metodologia considerada padrão ouro para o diagnóstico da COVID-19, PCR em tempo real, tem algumas limitações que podem ser superadas pelo teste desenvolvido na UFG. Com a técnica PCR é mais difícil testar a população em massa, já que o custo é elevado. Ela também exige instrumentação sofisticada e etapas que tornam o exame mais demorado. São cerca de 7 horas para o resultado sair. Além disso, é necessário ter mão de obra altamente qualificada para realizar todo o procedimento.

No trabalho dos professores da UFG, a amplificação do RNA do vírus é realizada em um microchip, que utiliza um volume muito pequeno (microlitros) de amostra e reagentes. Esses dispositivos são descartáveis e portáteis. Assim, o teste pode ser levado para o local de necessidade, os chamados point of care. A reação de amplificação do RNA é realizada em 10 minutos. A leitura dos resultados é colorimétrica: quando existe a presença do vírus na amostra do paciente aparece a cor verde fluorescente. Quando não há o vírus, não aparece cor. O resultado sai em menos de duas horas.

Quando não há o vírus, a cor verde fluorescente não é gerada no teste

 

Confiabilidade dos testes rápidos

O recente crescimento no número de relatos de pacientes que se submeteram a testes rápidos e tiveram diagnósticos equivocados também é uma preocupação da equipe. Mas, quanto a isso, Gabriela explica que é necessário observar que cada tipo de teste é mais adequado para um momento e um objetivo.

“O teste PCR, que é molecular, é mais indicado para pacientes que estão com os sintomas acentuados da doença. Neste momento, o teste sorológico, que são os testes rápidos, pode não ser a melhor forma de diagnosticar a doença, já que ele aponta a produção de anticorpos e isso demora alguns dias. Então, estes testes rápidos podem ser melhores para detectar se a pessoa teve ou não contato com a doença, no estágio em que o PCR já não acusaria”.

Nesse sentido, o teste rápido que a equipe da UFG desenvolve sai na frente em relação aos testes disponíveis atualmente. É como se ele unisse a confiabilidade do PCR, que detecta logo no início da doença, ao menor custo, praticidade e rapidez que os testes sorológicos têm.

A pesquisa está em fase de validação com um número maior de amostras, para que, em breve, o teste possa ser aplicado para a população. “Estamos trabalhando para concluir o quanto antes e entregar esta contribuição para a sociedade, um teste confiável que nos ajude a salvar vidas e superar a pandemia”.