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Ensino da Química: desafios e perspectivas

“Atualmente, temos professores do século XIX, escolas do século XX e alunos do século XXI”. A declaração é do professor de Química Gilberlândio Nunes da Silva, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Segundo ele, esse desalinhamento, em parte, é responsabilidade dos professores. “Historicamente, os cursos de licenciatura têm muitos profissionais da área técnica. Eles têm muito conhecimento, mas nem sempre estão preparados para passar essas informações aos estudantes”.

De acordo com Gilberlândio, o Brasil tem grandes pesquisadores e muito conhecimento técnico, mas precisa investir na formação de professores. “Sem investimento, fica difícil alinhar o ensino às necessidades dos alunos e ao desenvolvimento tecnológico”.

PROF. GILBERLANDIO NUNES DA SILVA

Já o professor Thiago Pereira da Silva, da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), acredita que é preciso fortalecer a educação básica da Química. “Acho que as pesquisas no ensino da Química ficam muito mais no nível da pós-graduação e acabam não chagando aos alunos no início do aprendizado. É importante que o professor da educação básica faça da sala de aula um local de pesquisa”.

Thiago também acredita que as dificuldades no ensino da Química estão relacionadas ao fato de que poucos alunos se interessam pela pesquisa porque as próprias escolas preparam o profissional com uma preocupação mais técnica, com vistas ao enfrentamento do mercado de trabalho. “Os estudantes saem da faculdade com um perfil muito mais de bacharel do que de licenciatura, sem contar que há carência de professores com formação específica na área de ensino de Química”.

Mas o professor ele reconhece as conquistas. “De 2010 pra cá, houve um crescimento no número de mestres, o que abre a possibilidade para o doutorado. Temos uma comunidade científica consolidada e respeitada, nossos próprios encontros, congressos e revistas especializadas”.  Entre as revistas especializadas, ele destaca as revistas Ensino de Química e Ludos, que subiram de B para A na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “O que precisamos, agora, é que os educadores pensem não somente como professores, mas como sujeitos que podem transformar a sociedade”, concluiu o professor.