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Engenheiro Químico vence prêmio de pesquisa alemão Green Talents 2020

Um doutorando em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi um dos 25 vencedores do concurso Green Talents 2020 – International Forum for High Potentials in Sustainable Development. Filipe Vargas Ferreira teve seu trabalho na área de engenharia de embalagens e tecidos selecionado entre 589 candidatos de 87 países.

O trabalho premiado é sobre a síntese de nanomateriais ambientalmente amigáveis de alto desempenho com potencial para serem usados como embalagens biodegradáveis e implantes biomédicos. Trata-se do uso da celulose para o desenvolvimento de novos materiais sustentáveis – uma abordagem interdisciplinar que une a nanotecnologia e as ciências naturais aos aspectos sociais. E foi exatamente estas características que fizeram o projeto se destacar.

Filipe explica que os polímeros não biodegradáveis – popularmente chamados de plásticos – desempenham um papel fundamental e podem ser encontrados em diversas aplicações, que vão desde utensílios domésticos até peças de espaçonaves. Devido à ampla utilização e à natureza resistente, esses polímeros são considerados um dos principais problemas ambientais da atualidade.

Ele ressalta que a substituição de polímeros não biodegradáveis pelos biodegradáveis é urgente, porém, esta substituição é difícil. “As propriedades dos polímeros biodegradáveis são frequentemente inferiores quando comparadas às dos polímeros não biodegradáveis. Além disso, os polímeros biodegradáveis, em geral, são mais caros. Existe, portanto, uma grande necessidade de desenvolver materiais poliméricos biodegradáveis com desempenho aprimorado e preço reduzido para diferentes setores”.

O projeto usa a celulose, o polímero natural mais abundante no mundo, para desenvolver materiais biodegradáveis de alto desempenho. O melhor é que estes são mais baratos, devido à matéria-prima utilizada, e com potencial para serem usados em diferentes aplicações. Podem servir, por exemplo, na medicina regenerativa e como embalagens biodegradáveis.

A pesquisa foi desenvolvida na Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (FEQ/Unicamp) e contou com a colaboração de pesquisadores da instituição. Para Filipe, este o reconhecimento de uma longa jornada. “Ganhar o prêmio foi o reconhecimento de um trabalho que venho desenvolvendo durante alguns anos. Mas, o mais importante é que o prêmio Green Talents foi o reconhecimento mundial de uma pesquisa de ponta desenvolvida em uma universidade pública brasileira”, comemora.

O pesquisador ressalta que o prêmio se torna uma oportunidade de divulgar o trabalho fundamental da Ciência na resolução de questões sociais e ambientais como as impostas. “No caso do Brasil, precisamos de mais investimento, tanto público quanto privado, para continuar as pesquisas. Além disso, há a questão da desvalorização das pesquisas que fazemos nas universidades brasileiras. Temos que sair da academia e explicar, de forma simplificada, nossas pesquisas. Reconhecimentos como este nos permitem isto, mostram não só que fazemos pesquisa de qualidade no Brasil mas também nos aproxima dos cidadãos”.

Sobre o prêmio

O programa Green Talents tem apoio do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha. A iniciativa oferece uma plataforma para que jovens talentos da pesquisa de todo o mundo compartilhem os seus projetos nas áreas da Ciência e desenvolvimento sustentável.

Os projetos são reconhecidos pela capacidade inovadora de tornar a sociedade mais sustentável, abrangendo diversas áreas da economia com ideias criativas capazes de responder as questões atuais mais urgentes sobre proteção ambiental e sustentabilidade. Essas questões, bem como os desafios enfrentados pelo meio ambiente em geral, exigem cooperação científica internacional.

Para Filipe, participar das atividades do Green Talents foi uma experiência marcante na carreira. “Tive contato com pesquisadores que trabalham com sustentabilidade, mas não necessariamente no desenvolvimento de novos materiais. Isso abriu minha mente para novos desenvolvimentos na área, e ampliou minha rede de colaboração”.

Esta foi a primeira etapa, a qual permite aos vencedores iniciar contato com a comunidade científica alemã para trocar ideias com seus principais representantes. Dessa forma, os premiados podem estabelecer bases para futuras cooperações. Esse empenho é reforçado pelo convite para irem à Alemanha em 2021, com uma estadia totalmente financiada pelo governo alemão em uma instituição de sua escolha.