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Empresas Juniores (EJs) de Química ganham espaço no mundo dos grandes negócios

Estudantes de Química de todo o país participam de negócios de grandes empresas com o objetivo de prestar serviços de consultoria e soluções na área. De acordo com a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), entidade que reúne as federações estaduais de negócios acadêmicos, existem, atualmente, 103 empresas juniores no Brasil que atuam na área Química, totalizando 1.280 estudantes, de 61 Instituições de Ensino Superior.

“As empresas juniores atuam como uma ferramenta complementar ao nosso sistema de educação superior, fornecendo aos alunos desses cursos (Engenharia Química e Química como um todo) o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais aos profissionais do futuro, aproximando esses estudantes da prática do curso desde a graduação por meio dos projetos que realizam”, enfatiza Fernanda Amorim, presidente da Brasil Júnior.

De acordo com ela, as empresas juniores movimentam a economia por meio de projetos, que são reinvestidos na educação empreendedora dos alunos, entregando ao mercado de trabalho profissionais mais capacitados e elevando a competitividade das empresas.

Hoje, cerca de 29 mil universitários são engajados no Movimento Empresa Júnior, por meio de 1.300 empresas juniores que realizam mais de 30 mil projetos por ano. Os projetos idealizados pelas EJS geram por ano um valor entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões na economia nacional. A expectativa para 2021 é de um faturamento de R$ 75 milhões, segundo dados da Brasil Júnior.

João Flávio da Silveira Petruci é tutor da QuímEJ, Empresa Júnior (EJ) instalada no Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ele é doutor em Química Analítica e bacharel em Química Tecnológica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp-Araraquara).

Petruci explica que uma das vantagens em criar uma EJ é que a área da Química oferece um amplo espectro de atividades nas quais o profissional pode e deve atuar. “Para os alunos, participar de uma EJ de Química é uma oportunidade única para vislumbrar essa diversidade da atuação de um químico. Ao passar pelos diferentes núcleos da EJ (desenvolvimento, projetos, marketing, análises, etc), o aluno tem a oportunidade de entender qual é o aspecto profissional em que melhor se encaixa. Essa oportunidade dificilmente é obtida dentro da sala de aula”, comenta.

Segundo ele, a principal vantagem para os clientes é a oferta de uma mão de obra e um know how altamente qualificados. “Os alunos da QuímEJ são capacitados, engajados e buscam melhorar a sua formação. Os professores que formam o corpo docente são doutores com expertises em diferentes áreas.”

A QuímEJ foi criada em 2017 com a finalidade de prestar serviços de consultoria e soluções na área de Química para Uberlândia, no Triângulo Mineiro e região. “A ideia da fundação de nossa EJ surgiu por iniciativa de um grupo de alunos do curso de Química Industrial”, esclarece Petruci. O professor tutor diz que já passaram pela QuímEJ 53 alunos como membros efetivos.

“Ao meu ver, a inserção da universidade pública com a sociedade é um caminho que será cada vez mais trilhado e cobrado. Nos últimos anos, é notório que a universidade vem se preocupando em demonstrar à sociedade brasileira a sua importância e o tamanho da contribuição que ela dá aos vários setores do país. Com as EJs não é diferente”, esclarece.

O jovem Felipe Marcassa, de 23 anos, cursa o quinto período de Química Industrial na UFU e, atualmente, ocupa o cargo de diretor presidente da QuímEJ. “Sou responsável na busca de parceiros para a EJ e pelo contato direto com o Instituto de Química, além de estabelecer diálogo com o Núcleo Triângulo da Federação das Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais e a Brasil Júnior”.

Para ele, o diferencial da QuímEJ está nos valores praticados na prestação dos serviços. “Somos uma empresa que não visa lucro. Mas o nosso atendimento é personalizado. O cliente está sempre ciente do que está acontecendo e tentamos ao máximo compreender as suas necessidades, visando a melhor qualidade dos serviços prestados”, justifica. Até setembro de 2020, a QuímEJ figurava entre as quatro empresas juniores do Brasil que mais faturaram no ano.

Importância da relação entre a academia e a indústria

Patrick Dias, da Cervejaria Alienada, em Uberlândia, é cliente da QuímEJ. Ele conta que a Júnior foi escolhida por uma questão de custo-benefício e pela importância da relação entre a academia e a indústria. “Eles nos prestam serviços na área de análise de água de processo que utilizamos na fábrica, tanto para controle de qualidade físico-químico quanto microbiológico. Atuam conosco desde o início das atividades da cervejaria há pelo menos 2 anos. Estamos tendo muito sucesso nessa parceria”, analisa o químico.

Ele argumenta que a legislação exige controle de qualidade de toda matéria-prima e insumos que entram na fábrica.

A Isomeria é uma empresa júnior de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Localizada em Curitiba, a EJ faz análises químicas e projetos de pesquisa e desenvolvimento e atua com clientes na área de alimentos, cosméticos e educação. “Também prestamos consultoria em ensino e feira de ciências. A Química é uma área muito diversa, com futuro promissor”, relata a presidente da empresa, Iasmin Gabriela Moro, de 19 anos, que está no terceiro período do curso de Química da UFPR.