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Em tempos de Covid-19, químicos ganham destaque no tratamento de piscinas

Com a proximidade do verão e o arrefecimento da pandemia de Covid-19, os equipamentos de lazer e recreativos, como clubes e condomínios com piscinas, devem voltar a ter público em todo o país. Neste cenário, o papel do químico é fundamental para garantir um ambiente seguro e livre de doenças. 

Neste sentido, o Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ XII) promoveu um evento online para debater a importância do químico no tratamento de água de piscinas, tendo como ponto de partida os principais desafios em tempos de Covid-19.

O engenheiro químico e empresário no setor de manutenção e consultoria em piscinas, Bruno Ribeiro, expôs o assunto para universitários, professores e profissionais. Formado pela  Universidade Bandeirante de São Paulo, o químico disse que um dos grandes desafios é o de convencer administradores de clubes e síndicos de condomínios da necessidade de manter um profissional da Química em equipamentos de piscinas. “O nosso trabalho, assim como dos Conselhos Regionais de Química, é orientativo e fiscalizador, não é um gasto. E sim, um investimento”, completou Ribeiro. 

Na visão do profissional, um dos objetivos do evento é o de esclarecer a relação entre a qualidade da água e a saúde da população, além de,  claro, tirar dúvidas sobre o tema. “Se não tiver parâmetros e qualidade de cloro residual, bem como ausência de micro-organismos, poderemos ter problemas de contaminação”, alertou.

Na experiência do empresário, 95% dos locais visitados por ele, não fazem a manutenção de forma adequada. “A piscina pode ser um caldo de cultura de bactérias se não fizer o monitoramento correto, e com orientação técnica. Os conselhos [de Química] estão fazendo um trabalho bem eficiente, cabe aos profissionais e à população fazerem os apontamentos  para dar as orientações corretas”, explicou. 

Segundo o empresário, que já foi personagem da websérie “Virei Químico! E agora?”,  do Conselho Federal de Química (Sistema CFQ/CRQs), a legislação, em vigor, garante que é privativo do químico a atuação em consultoria de piscinas. 

Piscina segura

Para Ribeiro, a piscina bem monitorada diminui o nível de contaminações. Ele comentou que um estudo desenvolvido na Inglaterra concluiu que a água da piscina bem tratada pode inativar o vírus da Covid-19 em apenas 30 segundos, se estiver nas condições corretas de parâmetros analisados por um profissional, com PH entre 7 e 7,2 e cloro residual acima de 1,5 ppm. “A piscina é um assunto de saúde pública, principalmente agora na retomada dos equipamentos de lazer e diversão. Tem que liberar o uso com critérios, e valorizar o trabalho do químico nas piscinas”, argumentou.

Uma das atividades mais essenciais do químico na manutenção de piscinas é a correção dos parâmetros. “É preciso fazer as análises químicas. Piscina com cheiro de cloro é sinal de alerta, pois há um excesso de contaminantes na piscina, excesso de xixi. A vermelhidão nos olhos também não é uma boa indicação. Piscina tem que estar com água balanceada, limpa e saudável.”

Outra ação fundamental, segundo o químico, é com relação à manipulação de produtos. “Isso requer muita proteção com EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Tomar cuidado ao lidar com o cloro para evitar intoxicações. Um outro procedimento recomendado é a recirculação da água para misturar os componentes químicos. Também é importante ler os rótulos dos produtos”, advertiu. 

Para quem está começando na área ou pretende ingressar, Bruno Ribeiro aconselhou fazer cursos de aperfeiçoamento, bem como ter consigo projetos e propostas para o tratamento de água de piscinas. “É necessário elaborar procedimentos com documentos e planilhas. Identificar o volume de litros de água para uma boa eficiência dos produtos químicos. Piscina tratada é público saudável”, encerrou o palestrante.