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Em noite de celebração e homenagens, Programa Nacional Olimpíadas de Química premia melhores no Ceará

Em uma grande festa de celebração da Educação, e da Química em particular, ocorreu na noite de 3 de dezembro a premiação aos vencedores do Programa Nacional Olimpíadas de Química. A solenidade de entrega das premiações ocorreu na Assembleia Legislativa do Ceará, em Fortaleza, capital do Estado.

Com a pandemia, houve restrição de acessos à cerimônia. Diferentemente do período pré-pandêmico, as premiações ficaram restritas aos vencedores das medalhas de ouro e prata – os vencedores de medalhas de bronze receberão suas distinções em suas escolas, pelo correio.

O coordenador geral do Programa, Sérgio Maia Melo, responsável por organizar a cerimônia, foi ele próprio um dos homenageados da noite. O vice-presidente da Associação Brasileira de Química (ABQ), Jean Carlo Antunes Catapreta, destacou a trajetória de Melo, um abnegado que dedica há décadas muito do seu tempo para fazer das Olimpíadas de Química uma realidade.

“Há quase três décadas Sérgio leva a frente o programa, é um símbolo. Em nome da ABQ, trago uma homenagem a todos os estudantes. Vocês são o que há de mais importante no país em termos de educação básica. Parabéns à escola e à família, que dão o suporte para vocês todo tempo”, destacou.

O vice-coordenador do Programa e presidente da Academia de Ciências do Piauí, José Arimateia Dantas Lopes, se somou aos relatos sobre a dedicação do professor Melo.

“Trabalho com ele desde o início, sou testemunha da dedicação dele. Se hoje temos esse grande evento, com o nome do Brasil se destacando no mundo no ensino da Química, o responsável é ele”, assinalou.

Em seguida, os coordenadores do Programa pelo país entregaram a ele uma homenagem como “patrono das Olimpiadas”.

O representante do Conselho Federal de Química na cerimônia foi o conselheiro federal e vice-presidente, Roberto Lima Sampaio. Ele endossou as homenagens ao coordenador, e destacou que o Sistema CFQ/CRQs é parceiro de primeira hora das Olimpíadas de Química.

“O Sistema tem tentado estar próximo e, sempre que possível, acompanhar várias ações, fazer a divulgação e ouvir professores e estudantes. Vamos manter esse apoio”, afirmou.

Ele destacou que  atrás de muitos dos estudantes de hoje estarão profissionais da Química do amanhã.

“É uma satisfação estar presente. Tanto aos alunos quanto às famílias, gostaria de parabenizá-los pelas conquistas do Brasil nas olimpíadas. Um sistema de aprendizado da Química que temos aqui. Muitos desses vencedores poderão seguir as carreiras de Química. Temos uma reunião de conhecimento importantíssima, atuando em todas as áreas”, afirmou.

Em seguida, um vídeo gravado com mensagem do presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, foi exibido. No vídeo, ele afirma que o caráter exemplar das disputas instiga os alunos a buscarem a excelência.

“É um concurso com mais de 350 mil inscritos. E os professores exercem um papel importantíssimo ao motivá-los para que eles sigam essa bela carreira que é a de profissional da Química”, destacou o presidente do CFQ, no vídeo.

Uma das novidades da participação do CFQ neste ano foi a instituição do prêmio Mulheres para a Química e do troféu Blanka Wladislaw. Patrocinadas pelo Conselho, as distinções são dirigidas às mulheres mais bem classificadas em cada um dos certames do Programa Nacional Olimpíadas de Química.

O prêmio às mulheres vem em boa hora para coroar uma quebra de paradigma importante, do aumento da presença feminina nas ciências exatas. De acordo com os organizadores das Olimpíadas de Química, em 2021, “a delegação que representou o Brasil na Olimpíada Internacional de Química era 75% feminina” e elas “conquistaram 83% das medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Química Júnior”.

Ao longo da noite festiva, vieram as premiações para a III Olimpíada Brasileira do Ensino Superior de Química, da XXVII Olimpíada Norte/Nordeste de Química, da Olimpíada Brasileira de Química – 2021, Modalidades A e B e, por fim, da Olimpíada Brasileira de Química Júnior. Com muitas comemorações, fotos e sorrisos, foram premiados mais de 100 estudantes de escolas de vários Estados do país.

Um exemplo de dedicação é a estudante Letícia Muniz Moreira, 14 anos, do colégio Objetivo de Santos-SP. Ela ficou em 1º lugar na Olimpíada Brasileira de Química Júnior. Ela conta que o interesse pela Química é recente, mas que o sucesso na disputa nacional faz com que ela vislumbre uma carreira na área.

“Fiquei muito feliz em representar a Baixada Santista. Pretendo seguir carreira, adoraria cursar uma faculdade de Química no exterior. E, claro, seguir competindo nas Olimpíadas de Química”, disse a jovem, que cursa o nono ano.

Um exemplo de superação é o do estudante Guilherme Santiago de Lima, que foi receber seu prêmio em cadeira de rodas. Estudante da capital cearense, ele recebeu medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Química.

“O importante é nunca deixar o medo nos paralisar. E saber que temos condições de realizar grandes coisas”, afirma o estudante.

Reflexões sobre as Olimpíadas por todo o país

Convidamos cinco dos coordenadores regionais do Programa Nacional Olimpíadas de Química, cada um representando uma das cinco regiões do país, para refletirem sobre a realização desse grande evento e quais são os desafios impostos. Confira:

“A gente tem uma certa dificuldade de acesso junto à Secretaria de Educação. Existe ainda essa dificuldade, mas de qualquer forma a gente tenta contornar porque temos ex-alunos que estão inseridos na secretaria e de alguma maneira a gente chega até eles”.

Paulo Rogério da Costa Couceiro, coordenador estadual do Amazonas

“Temos conquistado o recorde de inscrições no Brasil, vivemos um momento muito importante. Nosso maior desafio é ampliar a participação de estudantes de escolas públicas, conseguirmos chegar em cidades do interior e zonas rurais. Temos conseguido por meio de parceria com as secretarias de educação”.

Maria José de Filgueiras Gomes, coordenadora estadual de Pernambuco

“A dificuldade que temos é para chegar no interior. Hoje temos a facilidade de a prova ser virtual, ou seja, se consegue atingir mais cidades. Agora, com o retorno presencial, a gente tenta mobilizar as universidades estaduais. Como a primeira fase da olimpíada é por redação de Química, a gente consegue também envolver mais escolas”.

Lucas Carvalho Rodrigues, coordenador estadual de São Paulo

“O maior desafio que temos é a distância para a coordenação nacional, que fica aqui no Ceará. Exceto este momento aqui que é presencial, todo o envolvimento é por via remota. Cont0 com uma grande equipe de apoio e uma coordenação colegiada no Rio Grande do Sul, recebendo apoio da Associação Brasileira de Química, do Conselho Regional de Química da 5ª Região (CRQ V – Rio Grande do Sul), da UFSM e da UFRGS”.

Tania Denise Salgado, coordenadora estadual do Rio Grande do Sul

“O desafio é alcançar todas as escolas e engajar especialmente os professores. Através do professor que a gente consegue engajar os estudantes. Temos também a preocupação de manter uma participação equilibrada entre escolas públicas e privadas, é um desafio. Estamos pensando em como incentivar os estudantes de escola pública a participarem cada vez mais”.

Maria Aparecida da Silva Prado, coordenadora distrital do Distrito Federal