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Em live sobre fake news relativas a vacinas, Sistema CFQ/CRQs defende a Ciência e a saúde da população

“A Ciência precisa aprender a dialogar com a sociedade”. Essa foi uma das conclusões obtidas a partir de uma live promovida na noite de quinta-feira (28/1), pelo Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ-III), sediado no Rio de Janeiro. O tema: “Realidade e Fake News nas Vacinas e Medicamentos para a Covid-19”. Para a conversa, que teve como mediador o engenheiro químico Valdir Florêncio, pós-graduado em Química Orgânica e professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), foi convidado o dr. Luiz Carlos Dias, professor titular da Unicamp, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e membro da força-tarefa da Unicamp no combate à Covid-19.

No bate-papo de duas horas de duração, houve consenso em torno da necessidade de que a comunidade científica deve ao mesmo tempo combater aqueles que propagam a desinformação e buscar o constante contato com a população que respeita a Ciência e busca informações confiáveis.

De início, Dias tratou de afastar alegações de que temas como medicamentos e vacinas para a Covid-19 não são assunto da pauta dos profissionais da Química.

“A Química está envolvida em todas as etapas do processo (de desenvolvimento de fármacos e vacinas). Para isso, se nota a importância da inter-relação da Química com essas outras áreas, pois a Química Orgânica e a Bioquímica estão presentes ali. A Química é uma ciência central, mas é importante que a gente se disponha a dialogar com as outras áreas da Ciência”, afirma.

A partir do tema proposto, o professor da Unicamp comentou o efeito danoso da politização dos avanços científicos, tão comum nesses tempos de pandemia.

“As pseudociências se difundem muito. Vejam o crescimento dessas fake news. Eles criam narrativas para que as pessoas cheguem às conclusões que lhes interessam. Se trata de uma turma barulhenta, mas é importante olhar para o conjunto da sociedade e focar nesse grupo de pessoas para despertar o interesse pela vacinação e adesão a cultura vacinal. São aqueles que têm dúvidas honestas e sinceras sobre a vacinação, nesses é que temos que focar”, acrescentou.

Dias destacou que a ação de movimentos anticiência está entre os 10 maiores riscos à saúde no planeta segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e que a solução passa também pelo combate àqueles que se valem da mentira para reforçar sua posição na sociedade, mesmo pondo em risco milhões de vidas.

“Temos que combater (as fake news) de forma veemente. A população está sendo bombardeada. Combater esses disseminadores de notícias falsas, esse movimento anticiência. Esse movimento (relativo às vacinas da Covid-19) vai ter impacto no combate a outras doenças. Precisamos de pessoas justas, corajosas. Precisamos nos unir, para tentar esclarecer quem está aberto e com dúvidas sinceras. O fato de usar um jaleco não garante que você tenha ética e credibilidade pra falar. Nós temos que tomar posição e ir pro embate contra eles. Precisamos ter senso de responsabilidade cívica e combater todo tipo de canalhice. É preciso levar conhecimento para onde o negacionismo científico é muito forte. A Ciência avançou de maneira extraordinária”, comenta Dias.

CFQ atua no combate às fake news e repudia posições anticiência

A iniciativa do CRQ-III em trazer à tona a discussão sobre as fake news no âmbito científico se alinha à postura que o Conselho Federal de Química (CFQ) e o Sistema CFQ/CRQs como um todo vêm adotando dentro da campanha Química Solidária, desencadeada no início da pandemia, desde o primeiro semestre de 2020.

Na campanha, um dos braços é exatamente levar, via canais próprios e redes sociais, conteúdos em texto, áudio e vídeo informando à população a melhor maneira para desinfetar pessoas e ambientes, máscaras faciais, fazer a higiene pessoal, além da importância de preservar o distanciamento social. A qualidade dessa informação, inclusive, atraiu a atenção de parceiros como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Por outro lado, o Sistema CFQ/CRQs vem, desde o início, cumprindo seu dever de refutar as fake news, levar luz e até eventualmente responsabilizar profissionais da Química (ou não profissionais, que se apresentam como se tal fossem), nos termos de sua atuação estabelecida pela lei.

Nesse sentido, o Sistema CFQ/CRQs expressa seu desacordo e contrariedade em relação a conteúdo em áudio que circula em redes sociais e aplicativos de mensagens atribuído ao profissional da Química Marcos Nogueira Eberlin.

“Tendo em vista que a Covid-19 já ceifou mais de 218 mil vidas no Brasil e que não há tratamento eficaz contra ela, há que se ter, entre os homens e mulheres da Ciência, comedimento e prudência no questionamento aos tratamentos e, com especial destaque, às vacinas. Aos cientistas não cabe produzir eco ao jogral já reverberante das fake news e da desinformação, mas jogar luz sobre comportamentos que protejam a vida e mitiguem a dor e a doença. Alinhamo-nos, neste tema, ao entendimento expresso em nota pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ), Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) e Associação Brasileira de Química (ABQ). O momento do Brasil e do mundo requer de nós cooperação e coragem”, afirma José de Ribamar Oliveira Filho, presidente do CFQ.