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Doutora em Química recebe menção honrosa no 15º Prêmio Capes de Teses 2020

Contribuir para o desenvolvimento de tecnologias de produção para os novos biocombustíveis foi o principal objetivo da pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cristiane Almeida Scaldaferri com sua tese de doutorado. Esse trabalho foi reconhecido com uma menção honrosa no Prêmio Capes de Teses 2020, em outubro deste ano.

Scaldaferri, que atualmente mora, estuda e trabalha em Londres, é autora da tese Síntese de bio-hidrocarbonetos via catálise heterogênea para a produção de bioquerosene de aviação e diesel verde. O trabalho foi desenvolvido junto ao Programa de pós-graduação em Química, sob a orientação da professora Vânya Márcia Duarte Pasa, da UFMG.

“Meu trabalho de doutorado consistia em possíveis rotas e processos para a produção de biocombustíveis à base de hidrocarbonetos, os quais são chamados de biocombustíveis, que incluem o bioquerosene de aviação e o diesel verde, potenciais substitutos para o querosene de origem fóssil e o diesel de petróleo. O foco do trabalho foi o estudo de diferentes matérias-primas e catalisadores para produção desses biocombustíveis”, explica.

Ela também investigou rotas em que o processo fosse simplificado, utilizando o gás nitrogênio, ao invés de gás hidrogênio, por exemplo, o que resulta em processos de menor custo, mais seguro e mais simplificado. “Isso tudo para tentar desenvolver esses processos em condições brandas de operação como baixas pressões e temperaturas, sem a utilização de solventes ou muitos insumos que resultam em subetapas que encarecem o produto”, acrescenta.

A pesquisadora destaca que a substituição dos derivados de petróleo pelos biocombustíveis, além de diminuir os custos de operação, também implica na redução dos impactos ambientais “devido às emissões dos gases de efeito estufa, principalmente CO2”.

Durante a produção da tese, segundo Cristiane, foram realizados três estudos com o objetivo de propor novos materiais ou catalisador de baixo custo, o que impactaria em um combustível verde de baixo custo, além de estudar matérias-primas de valor residual para que, então, o insumo do processo tivesse um custo mínimo. “Houve também um estudo da lignina, uma matéria-prima, que seria gerada em grande escala, em caráter industrial, principalmente na indústria de papel e celulose”, explica.

De acordo com a pesquisadora, os próximos passos, depois de receber o reconhecimento no Prêmio Capes de Teses 2020, são continuar com o trabalho de doutorado em outro patamar. “Ele [o trabalho] está caminhando para uma evolução, para estágios necessários para levar isso para uma escala industrial. Agora passará para uma escala piloto no laboratório, mostrando o potencial para ser aplicado industrialmente.”

Saiba mais sobre Prêmio Capes de Teses

Criada em 2005, a premiação reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos em programas de pós-graduação brasileiros. Os critérios avaliados são: originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação e o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato.

A 15ª edição (2020) premiou 49 pesquisas. O resultado foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), em outubro. Outros 94 candidatos, caso de Cristiane, foram homenageados com menções honrosas, em forma de certificados aos autores, orientadores, coorientadores e ao programa em que foi defendida cada tese.

Além do reconhecimento e certificados, três autores das melhores teses em cada área do conhecimento: Ciências da Vida, Humanas e Exatas recebem o Grande Prêmio: uma bolsa para estágio pós-doutoral de 12 meses em uma instituição internacional.