Notícias

Dispositivo vai evitar intoxicação por monóxido de carbono

Pesquisadores do Brasil, Argentina, Espanha e Itália desenvolvem dispositivo que corta o gás de aquecedores quando detecta quantidade de CO acima do normal  

Todos os anos 32 mil pessoas morrem em todo o mundo envenenadas por monóxido de carbono. Pesquisadores trabalham para desenvolver um sensor que corta o gás em aquecedores domésticos quando houver monóxido de carbono acima do nível ideal. O desenvolvimento do dispositivo é resultado de uma parceria entre instituições de Brasil, Argentina, Espanha e Itália e tem como agências financiadoras a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) e o Ministério de Ciência, Inovação e Universidades da Espanha.

O professor emérito do Departamento de Química da Universidade e diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Elson Longo, explica como o dispositivo funciona. “Pesquisamos e descobrimos que o óxido de cério é um semicondutor que corta a corrente e desliga o gás. Então, a ideia é colocar esta chave de corte que foi criada dentro dos aquecedores. Quando há alguma alteração na queima, se o oxigênio não for suficiente para transformar o metano em CO e água, o gás é cortado”.

Os protótipos desenvolvidos têm como base equipamentos de duas empresas japonesas do setor que estão em fase de negociação com o CDMF. Os sensores estão em fase de desenvolvimento e a expectativa é de que chegue ao mercado em 2021.

Sobre o monóxido de carbono

Gás incolor, inodoro, inflamável, menos denso que o ar atmosférico, o monóxido de carbono é produzido em condições de pouco oxigênio disponível com base na queima de combustíveis fósseis e compostos que contenham carbono. É um gás extremamente perigoso, pois é um asfixiante químico que pode levar ao envenenamento.

A intoxicação por monóxido de carbono pode matar em poucas horas. O gás, que não tem cheiro, impede o oxigênio de chegar às células, e asfixia a vítima aos poucos. “Quando uma pessoa inala o CO, a sensação é de bem-estar e sono. O CO interage com a hemoglobina e produz monóxido de hemoglobina, forma uma ligação química muito mais forte que o oxigênio, não o deixa entrar. É assim que ocorre o sufocamento”, descreve Longo.

Por ser um gás inodoro, sem sabor e incolor, a identificação em caso de vazamentos é difícil, o que torna o gás ainda mais perigoso.

Os primeiros sintomas são dor de cabeça, tontura e confusão mental. Mas o quadro evolui rapidamente para perda de consciência e coma. A pessoa também perde a força para se locomover. É a falta de oxigênio nos tecidos que deixa as vítimas arroxeadas e com articulações paralisadas.