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Discurso do presidente: “a Amazônia é objeto de interesse mundial”

Minhas senhoras e meus senhores: é uma grande satisfação vir a Belém para o décimo-sexto encontro de profissionais da química da Amazônia.

Muitos aqui provavelmente não sabem, mas foi em Belém, na Universidade Federal do Pará, que colei grau em química. Era março de 1974. Minha história pessoal e esta cidade se confundem. Mas o curioso é que, por essas circunstâncias da vida que às vezes nem tem explicação, não voltei a Belém desde então, desde 1974.

De qualquer modo, é um prazer estar aqui de novo, nesta cidade que tantas lembranças me traz. Da mesma forma, é com imenso gosto que acompanho o trabalho desenvolvido pelo presidente do Conselho Regional da Sexta Região, Célio Augusto Gomes de Souza.

A admiração pela atuação do CRQ VI vem de longa data. Além da figura do presidente, peço licença pra citar os conselheiros Célio Melo e Fernando Oliveira. E aproveito para, em nome do Conselho Federal de Química, na condição de presidente desse órgão, pedir desculpas por eventuais dissabores provocados.

Temos a perfeita consciência de que a relação entre diferentes entes do Sistema CFQ/CRQ nem sempre foi a melhor. Peço apenas que vejam em meu gesto um sinal de disposição sincera e desinteressada para que andemos, com integração e harmonia, em direção a um futuro promissor para a química e seus profissionais.

Aqui estamos em um evento marcante para a região e para o país, destacando que, neste ano de 2019, o CRQ VI chega à simbólica marca de cinquenta anos.

Amigos. Como todos sabemos, a Amazônia é objeto de interesse mundial. Nas últimas semanas vimos a preocupação com a região motivar manifestações de líderes de potências globais.

A atenção do mundo em relação à Amazônia é compreensível, dada a sua importância para o equilíbrio climático e ambiental do planeta. Felizmente, porém, a Amazônia conta com brasileiros conscientes da riqueza contida nas matas, nas águas e na diversidade humana dos povos da floresta.

Não é de hoje que os químicos da Amazônia estão entre os defensores da natureza local. Vale lembrar que a história da química na região norte começou aqui, em Belém.

O seu marco inaugural foi a fundação da Escola de química industrial do Pará, em 1920. Já naquela época, os estudos se voltavam para o conhecimento e a exploração sustentável dos recursos naturais da região.

Ao longo de um século, essa orientação pautou pesquisas e a formação de valorosos recursos humanos em instituições de ensino dos estados amazônicos.

O respeito à Amazônia e às suas riquezas é um legado vivo e deve inspirar as gerações atuais a desbravar novas fronteiras científicas. Não tenho dúvida de que os químicos da região norte estão, em sua maioria, comprometidos com os valores da sustentabilidade socioambiental.

São valores que levam ao aprimoramento de processos, produtos e serviços consumidos pelo conjunto da sociedade brasileira. No entanto, assim como agregamos forças em torno desses valores, precisamos somar forças na defesa das categorias profissionais do setor químico.

Nós, do Conselho Federal de Química, estamos empenhados em fortalecer os CRQs para que possam cumprir melhor suas atribuições, em defesa dos químicos e da sociedade.

Nosso compromisso com o fortalecimento e a modernização dos CRQs tem caráter oficial. Faz parte das diretrizes que fixamos democraticamente no ano passado, por meio do planejamento estratégico e do plano plurianual do Sistema CFQ/CRQ.

Trabalhamos pela união dos químicos de todo país, e a união se faz vital neste momento.

Temos pela frente o desafio de demonstrar à sociedade e ao congresso nacional os riscos embutidos na proposta de emenda à constituição 108/2019. Precisamos da mobilização dos químicos no esforço de enterrar esse projeto que tramita no legislativo.

Se ele for aprovado, teremos a desintegração dos conselhos profissionais, numa ameaça à toda a sociedade. A PEC 108 tende a enfraquecer as entidades que hoje reúnem a legitimidade e a competência necessárias para fiscalizar dezenas de profissões.

No nosso caso, representa a desvalorização dos químicos e o desmonte de parâmetros de segurança e de qualidade na indústria.

Se for assim, riscos desnecessários aos consumidores vão surgir. O desafio é grande, mas contamos com os químicos e com os crqs para dar musculatura à luta contra a PEC 108. Estamos confiantes de que vocês vão se engajar no bom combate, em defesa do trabalho digno e da segurança dos brasileiros.

Unidos, somos mais fortes.

Unidos, faremos muito mais.

Vamos em frente, amigas e amigos.

Muito obrigado.