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Dia Mundial da Água: CRQ IV discute a escassez hídrica

No Dia Mundial da Água, 22 de março, a Comissão de Meio Ambiente do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ-IV) promoveu a décima edição do Fórum de Recursos Hídricos. O tema deste ano foi a escassez hídrica.

Segundo o diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-SP), Luís Eduardo Grisotto, incertezas climáticas, eventos severos de seca e inundações, além do crescimento populacional e da expansão urbana de forma desordenada vêm agravando a segurança hídrica do País. 

“A segurança hídrica nada mais é que a água para disponibilidade e qualidade com o objetivo de atender as necessidades humanas, atividades econômicas e a manutenção de ecossistemas”, afirmou o especialista durante a live

Para ele, em um conceito mais amplo, seria sobre planejar as cidades, protegendo mananciais com um uso racional e consciente, reduzindo perdas e estimulando o reuso da água. Além disso, contar com ações de governança, produzindo pesquisas, conhecimento e inovação. “Cuidar dos rios e coleções hídricas é cultivar o amor e o respeito pelas águas”, acrescentou. 

Na oportunidade, Grisotto trouxe como referências o Plano Nacional de Segurança Hídrica (2017-2035) e o Atlas dos Esgotos, documentos elaborados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

De acordo com o engenheiro ambiental, existe uma má distribuição das águas em relação à população urbana. “Para se ter um exemplo, 47% da população da região sudeste do País tem acesso apenas a 8% da vazão de água, enquanto que na região norte possui 83% desta vazão, com 16% total da população brasileira.

Outros dados apresentados, segundo o Índice de Segurança Hídrica de Abastecimento Urbanos (ISH-U), revelam que 667 de sedes urbanas possuem segurança hídrica máxima e com uma população de 7 milhões de habitantes. Outras 737 sedes têm uma segurança hídrica considerada baixa. Deste total, 497 estão localizados na região Nordeste. Ainda mais grave acontece em 48 sedes, que registram uma segurança mínima, sendo que 41 deles são também do Nordeste brasileiro. 

O palestrante trouxe também um dado alarmante: 61% das cargas de esgoto são ainda despejadas em rios. E os estados do Amapá, Roraima e Amazonas concentram perda de água acima de 65%. 

Outra informação importante é que 763 cidades estão contaminadas com produtos químicos e radioativos, com índices acima do limite permitido nas águas de abastecimento. É o que revela um estudo, produzido entre 2018 e 2020, pelo Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) de Mato Grosso do Sul.

Além das mudanças climáticas e os eventos severos, outros fatores estão contribuindo para o agravamento das crises hídricas, como, por exemplo, o crescimento econômico, a pressão sobre mananciais, perdas de água, aumento da poluição e insuficiência de investimentos na oferta hídrica. “Há também incertezas quanto à recorrência dos fenômenos El Niño e La Niña. Existe, sim, uma mudança climática em curso, basta ver a nevasca ocorrida em janeiro de 2014 com o registro de 38 graus célsius negativos, ou o recorde histórico no Canadá, com 46 graus de temperatura. Precisamos ter sistemas mais resilientes, com a implantação de projetos mais robustos, como o fortalecimento de políticas públicas e uma agenda permanente”, comentou Grisotto.

Para o diretor técnico da McLeod Ferreira, José Antonio Monteiro Ferreira, é preciso partir para o reuso. “A água é a mesma, seja quando Cleópatra a bebeu ou se banhou. Ela não sai do planeta”, brincou. 

Ferreira mostrou exemplos de reuso da água em unidades fabris e comerciais, no estado de São Paulo e na Serra Gaúcha. Segundo o diretor, o custo do investimento se paga num período curto, após a instalação de pequenas estações de tratamento. “Em Portugal se produz cerveja com água de reuso com processos de filtração duplo. Para produzir cerveja tem que ter uma água de excelente qualidade”, disse Ferreira. 

Sobre a situação ambiental, ele trouxe informações quanto às estações de tratamento de água. Em 2017 existiam 70 estações abandonadas e 252 inadequadas. “Se você levar água à população tem que levar esgoto também.”

O presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, apresentou um breve cenário do saneamento no País e as perspectivas do Marco Legal. “O Brasil ainda tem 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada. Este número equivale à população do Canadá. Outros 100 milhões de cidadãos não possuem coleta de esgotos e a metade do esgoto gerado não é tratado no País”, garantiu o dirigente da empresa líder no setor privado de saneamento básico no Brasil.

Para ele, houve avanços com o Marco Legal do Saneamento, mesmo que tímidos. “Foram necessários 25 anos para que o atual Marco Regulatório do Saneamento fosse aprovado, possibilitando que, pela primeira vez, houvesse no Brasil contratos privados. Trouxe também segurança jurídica”, explicou.

O dirigente da Aegea acredita que é preciso ainda nivelar os níveis de estágios das empresas de abastecimento de água. “Uma boa regulação [regulatória] minimiza os problemas. Nivelar as agências reguladoras é um recomeço e todo o mundo vai ter que estruturar um pouco, inclusive, a cadeia produtiva, com produtos químicos.” 

Ferreira garante que o Marco Legal é um grande indutor na economia, capaz de gerar milhares de empregos para profissionais da Química. 

Assista à live completa em comemoração ao Dia Mundial da Água no endereço eletrônico: https://www.youtube.com/watch?v=lDzDFLoRgd0