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Delegação brasileira ganha quatro medalhas da 52nd  International Chemistry Olympiads

Competição acontece anualmente e envolve estudantes do mundo inteiro

Os quatro estudantes brasileiros que participaram da 52ª edição da Olimpíada Internacional de Química (IChO) conquistaram medalhas. Ygor Santana de Moura ganhou a prata, e Davi Fontoura Cantanhede, Pedro Yudi Honda e Thiago Veloso de Souza ganharam medalha de bronze. Ao todo, 235 estudantes de vários países fizeram a prova remotamente no dia 25 de julho. A cerimônia de premiação foi transmitida ao vivo pelo YouTube, nessa quinta-feira (30).

Da esquerda para direita: Ygor, Davi, Pedro e Thiago

A Olimpíada Internacional de Química (IChO) é uma competição que acontece anualmente, desde 1968, e envolve os mais talentosos estudantes de Química do mundo. Neste ano, 60 países selecionaram seus quatro melhores alunos para que testassem seus conhecimentos e habilidades em Química em um exame teórico de cinco horas.

Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a etapa prática não foi promovida. Em 2020, as provas seriam realizadas em Istambul (Turquia). Cada estudante realizou a prova em sua cidade sob os olhares atentos de uma comissão avaliadora. Para isso, foi instalada uma câmera exatamente na frente dos candidatos.

Fases – Engana-se quem pensa que a preparação é simples até a IChO. Os estudantes se dedicam muito e passam por várias etapas da Olimpíada Brasileira de Química até chegar ao evento internacional. Os jovens do ensino médio estudam, por muitas horas, conteúdos mais complexos do que aqueles trabalhados em sala de aula. A organização da prova explica que a preparação para a Olimpíada Internacional de Química exige um alto nível de entendimento e interesse em Química, além de capacidade notável de relacionar assuntos químicos entre si e com o mundo prático.

O carioca Davi Fontoura Cantanhede, de 17 anos, diz que fez “quase uma graduação em Química dentro de casa”. Ele ficou surpreso e feliz pelo fato de participar da prova. Diz que a medalha representa o término de um ciclo e o início de uma carreira científica.

Para o brasiliense Thiago Veloso de Souza, o resultado vai muito além da medalha. “É a junção dos esforços da minha família, dos meus professores, dos meus amigos, da minha escola e o meu, que culminaram na realização de um sonho de criança quando participei da minha primeira Olimpíada”. Antes da premiação, ele já estava feliz por ser o primeiro representante de Brasília na ICho. “Ela (a medalha) é muito especial para mim”.

Toda a dedicação aos estudos durante o ensino médio valeu a pena. “Fui recompensado”, comemora Pedro Yudi Honda. Ele incentiva outros estudantes a participarem das Olimpíadas. “Participem! Nem que seja só por participar. Estar nesse meio é muito legal, porque você conhece pessoas que gostam do assunto e te impulsionam para aprender mais. Mesmo que Química não seja seu forte, vale a pena. Eu mesmo participei de várias Olimpíadas de Matemática, mesmo que nunca tenha ganhado nada”.

Segundo o coordenador do Programa Nacional Olimpíadas de Química, professor Sérgio Melo, o resultado mostra que o esforço da equipe em selecionar e identificar talentos foi recompensado. “Nas últimas edições da IChO, todos os quatro representantes retornaram premiados. Portanto, estamos, a cada ano, identificando jovens talentos que, no futuro, serão cientistas ou estarão a serviço de nossa indústria química”.

O professor Sérgio Melo destaca ainda que, ao retornarem para suas escolas, “esses jovens estimularão seus colegas a vencerem os desafios lançados pela olimpíada, e novos talentos serão revelados”.

O medalhista de prata, Ygor Santana de Moura, conta que sempre que olhar para a medalha vai lembrar do seu esforço e de todo os aprendizados que ela representa. “Vou ter boas lembranças das pessoas que conheci e das habilidades preciosas que desenvolvi”.

Em 2021, a IChO está prevista para acontecer no Japão.