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CRQ IV promove live sobre alisamento capilar e atrai centenas de pessoas

Quando se trata de cuidado capilar, ” onze em cada dez mulheres” se interessam pelo assunto. O objetivo da live do Conselho Regional da 4ª Região (CRQ IV) foi abordar “A Química dos Alisantes”, com esclarecimentos sobre o que há por trás do alisamento da fibra capilar. O evento on-line atraiu mais de 600 pessoas.

A engenheira química, formada pela Escola de Engenharia de Lorena (Universidade de São Paulo), Cibele de Castro Lima, e o químico industrial e pós-graduado em Cosmetologia, Matheus Vieira, foram convidados para debater o tema.

O químico industrial Matheus Vieira iniciou a apresentação destacando a legislação sobre o uso de alisantes, ressaltando o que é permitido e eticamente possível, inclusive, com base na resolução nº 409/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que trouxe orientações quanto aos procedimentos e requisitos para a regularização de produtos cosméticos para alisar ou ondular os cabelos. “Era uma resolução muito aguardada pelo setor de cosméticos, principalmente, para aqueles que atuam na área de alisamentos. Essa resolução veio para alinhar uma incerteza que havia desde 2013, quando se lançou a escova sem formol. A indústria ficou aguardando essa regulação”, comentou o profissional pós-graduado em Cosmetologia. 

Outro documento, a Instrução Normativa nº 98/2021 da ANVISA, traz a lista de ativos permitidos em produtos cosméticos para alisar ou ondular os cabelos. “Fora desta lista é ilegal e não é permitido, como o ácido tioglicólico e seus sais, e o hidróxido de cálcio”, exemplificou Vieira. 

Ainda de acordo com ele, existem dois tipos de reações químicas na fibra capilar no alisamento: lantionização e oxi-redução. 

A engenheira química e também especializada em Cosmetologia, Cibele de Castro Lima, falou sobre as camadas capilares. A parte mais externa do fio é a cutícula, responsável pelo brilho e proteção do cabelo. As camadas seguintes são o córtex e a microfibrila, que garantem a resistência mecânica do fio. 

“Para o agente ativo alisante fazer efeito, ele tem que passar por essa barreira que é a cutícula. Nesse procedimento, seja alisamento, descoloração e tingimento, nós temos alteração na estrutura, com perda de lipídios e proteínas. Com isso o fio perde resistência e brilho”, acrescentou a química Cibele Lima.

A profissional alertou que a fibra capilar, em procedimentos de “chapinha”, começa a sofrer uma decomposição de aminoácidos com uma temperatura acima de 200 graus centígrados. 

Ao esclarecer dúvidas de internautas, Cibele afirmou que os aminoácidos não alisam cabelos e o tempo ideal entre uma reaplicação de alisamento e outra deve ter uma pausa em média de 4 meses, no mínimo. “Os aminoácidos ajudam na reposição do brilho e tratamento capilar. Quanto ao alisamento, ele deve ser feito na parte onde o cabelo cresceu”, respondeu. 

O formol, produto banido e condenado há muito tempo, também foi assunto da palestra. Ambos os profissionais ressaltaram que o uso deste produto nos cabelos é proibido, além de ser muito perigoso para a saúde das pessoas. 

Ao encerrar, Cibele e Matheus disseram que há uma tendência no mercado de ativos naturais para o uso capilar. “Porém, às vezes, o natural também é agressivo”, finalizou Vieira. 

Assista a palestra em https://www.youtube.com/watch?v=x4Ncd4hPRQ8&t=4321s