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CRQ IV promove evento virtual sobre controle de nitrosaminas

O Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV) realizou na noite desta quinta-feira, 25 de fevereiro, uma live para discutir as nitrosaminas. Os convidados para o debate foram Wilson Franco e Fernanda Waechter e o mediador foi Jefferson Santos, que integra a comissão de Química Farmacêutica da CRQ IV.

As nitrosaminas são compostos químicos cancerígenos, produzidos através de nitritos e aminas. O desafio da indústria, em especial na confecção de medicamentos, é evitar a geração desses compostos.

Na sua exposição, Franco relembrou o episódio do recolhimento do medicamento Ranitidina, ocorrido no princípio de 2020, fartamente noticiado na época e que gerou a curiosidade do público sobre as nitrosaminas.

“Se pode fazer uma comparação com o processo de fazer um churrasco em casa. Você coloca o carvão, que é o combustível, você tem o oxigênio e você precisa de um fósforo para iniciar a ignição, provocar a combustão. As nitrosaminas são formadas quando você tem aminas secundárias reagindo com agente nitrosante”.

Ele afirmou ainda que a presença de nitritos é comum na indústria de alimentos para a conservação dos produtos e que a identificação dos riscos da combinação que gera as nitrosaminas em alimentos vem desde a década de 50.

“Durante a década de 70, após surtos de doenças de fígado em animais de criação na Noruega, os pesquisadores identificaram ligação direta entre uma dieta de farinha de peixe e a formação de câncer nesses animais. A farinha de peixe foi preservada com nitrito de sódio, o que levou à formação das nitrosaminas”, recorda Franco.

Ele menciona que a formação das nitrosaminas ocorre na indústria de alimentos como carnes e grãos, mas também nos químicos industriais como pesticidas e agentes refrigerantes, águas residuais, cosméticos e cigarros.

Franco, por fim, trouxe as últimas determinações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dão conta da obrigatoriedade do controle das nitrosaminas em “todos os medicamentos de uso humano contendo IFAs (insumos farmaceuticamente ativos) sintetizados quimicamente”, com avaliação de riscos e testes confirmatórios.

Franco destacou que há um grupo de trabalho da Anvisa em curso para discutir o controle das nitrosaminas em medicamentos e que esse grupo, segundo o Diário Oficial da União, tem até 11 de junho para concluir seu parecer. Na prática, a tarefa de fazer esse controle das nitrosaminas é muito desafiadora, já que as nitrosaminas não surgem apenas no IFA e podem ser ocasionadas até na interação entre o produto e sua embalagem, conforme identificaram pesquisadores europeus. Mas a construção de parâmetros seguros pode ocorrer a partir de experiências de outros países.

IFA produzido fora do país é desafio ao controle da nitrosamina

Na sua manifestação, Fernanda Waechter, destacou que ainda que nitritos e aminas ingressem em etapas diferentes de fabricação do IFA, sempre há risco de que a interação ocorra.

“No caso das sartanas (remédio para controle da pressão arterial), essa interação ocorreu na mesma fase do processo de produção do IFA”, o que segundo ela, pode ser um elemento que amplia esse risco.

Outro tema abordado por Fernanda foi o potencial toxicológico das nitrosaminas.

“Existem grupos que estão estudando a toxicologia das nitrosaminas hoje e aí tem uma publicação super recente que coloca que, entre as nitrosominas que a gente tem dados, aproximadamente 20% delas não são carcinogênicas. Isso mostra como não é uma regra a nitrosamina ser carcinogênica”, afirma.

Quanto à industria química, a administração desses riscos tem um complicador: boa parte dos insumos são produzidos longe do Brasil, o que dificulta o domínio da cadeia produtiva.

“Um desafio que temos é a comunicação com nossos fornecedores. Se formos ver, onde estão os fabricantes de IFA? 60% está na Ásia, quase 30% estão na Europa… A gente tem pouquíssimos fabricantes no Brasil. A gente precisa se comunicar com esses fabricantes para que a gente possa entender qual é o risco de fato do processo deles. Quando a gente recebe, não necessariamente conta com todos os detalhes”, alerta.

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