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CRQ IV discute a produção de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs)

Os insumos farmacêuticos (IFAs) foram o tema da live do último dia 20. Com o título “O Papel do Químico na síntese de fármacos e produção de medicamentos”, a palestra foi transmitida pelo Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV) em seu canal no YouTube. Os IFAs vêm chamando a atenção da opinião pública, desde o início da pandemia de Covid-19, quando o País teve que importar os insumos pela falta na prateleira (parque industrial farmoquímico brasileiro).

“O Brasil já chegou a ter oito fabricantes de vacinas, mas quando começou a pandemia, tínhamos dois fabricantes de vacina: a Fiocruz e o Butantã. Esses dois fizeram acordos com fabricantes de insumos e nós pudemos importar os IFAs para produzir, aqui no Brasil, a vacina, o que nos deu uma vantagem em relação ao controle da pandemia enorme”, comentou o engenheiro químico Wilson Franco, durante a palestra.

Segundo o engenheiro químico, no começo da pandemia, muitos medicamentos foram avaliados, principalmente os que possuíam estudos e eram seguros, no entanto, não eram eficazes contra o vírus. “Esses estudos foram feitos em centenas de medicamentos que estavam no mercado porque seria um caminho mais curto. As vacinas foram testadas. São seguras e a evolução é constante, e toda área científica avalia tudo antes de aprovar”, complementou.

Franco também explicou os passos para que se tenha uma vacina e um medicamento chancelado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O engenheiro químico foi além e discorreu sobre as especificações do marco regulatório no âmbito na Agência, lembrando da aprovação do registro do insumo da Fiocruz pela Anvisa.

E foi esta chancela que permitiu à Fundação a produção do IFA no Brasil, contemplando, assim, envasar e entregar a vacina pronta. “É importante, como estratégia nacional, que sejamos autossuficientes. A tendência é a de que tenhamos mais pandemia. Nós temos que nos preparar para isso. O fato da Fiocruz poder fabricar o IFA já dá um alívio. Se aparecer uma nova variante, a Fundação pode até modificar o insumo”, observou Franco.

Segundo o profissional, o desenvolvimento de um fármaco envolve várias fases, desde estudos pré-clínicos (fases I, II e III) até o requerimento e concessão de registro, estudos clínicos de fase IV e fármaco-vigilância.

Para ele, é fundamental que o Brasil seja autossuficiente neste campo. “Você vai a uma farmácia e a chance de pegar um medicamento do IFA nacional é de 5%. Isso mostra que nós temos uma dependência na área de medicamentos. Nós também temos uma indústria farmoquímica boa, mas precisamos investir e melhorar, porque a indústria precisa atender outros setores”, concluiu Franco.

Assista à live completa em https://www.youtube.com/watch?v=paVnSc3-BQU .