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Coroas de abacaxi são transformadas em carvão ativado

Invenção de estudantes da Paraíba pode ser uma solução para tratamento de água e outras atividades que fazem uso do carvão ativado

As coroas de abacaxi, que costumam ser descartadas no lixo ou virar adubo, acabam de ganhar uma nova funcionalidade. Alunos concluintes do curso de Engenharia Química da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram carvão ativado a partir do material orgânico.

O carvão pode ser usado em processos de adsorção (adesão de moléculas de um fluido a uma superfície sólida) que já utilizam o carvão ativado vendido comercialmente, como tratamento de água, por exemplo.

A concluinte do curso de Engenharia Química Ellen Santos explica que o carvão criado tem caráter inovador. “A invenção tem a finalidade de absorver compostos tóxicos e impurezas presentes em hidrolisados lignocelulósicos, que são materiais que possuem lignina e celulose em sua composição e sofreram reação de decomposição ou alteração através da água”. O carvão ativado, explica, tem essa capacidade adsortiva muito poderosa, “pode adsorver furfural, hidroxi metil furfural e outros compostos”.

Ellen conta que a ideia de transformar coroa de abacaxi em carvão ativado teve início no laboratório de bioengenharia da universidade, por meio de uma matéria-prima já utilizada para obtenção de carvão ativado.  “O laboratório usava os hidrolisados lignocelulosicos, que são obtidos por meio da ação de um ácido forte ou base forte em uma máteria-prima lignocelulosica para obtenção dos açúcares. Esse processo acaba liberando, além dos açúcares, inibidores de crescimento microbiano. O carvão ativado consegue adsorver esses compostos inibidores, permitindo que os microorganismos cresçam”.

O novo carvão ativado pode vir a ser um forte aliado no combate à contaminação ambiental. Ele pode ser aplicado no tratamento de efluentes, despejos líquidos provenientes de atividades humanas e industriais. Isso facilitaria o tratamento de água e dos esgotos domésticos e de fábricas, por exemplo. Mas Ellen ressalta que ainda são necessários estudos para compreender qual a capacidade adsortiva nesses meios.

Entenda o processo

Para chegar ao carvão ativado inovador, o trabalho foi dividido em duas etapas: o tratamento da coroa do abacaxi e a carbonatação.

Os pesquisadores cortaram a coroa e deixaram secar ao sol. Depois de perder umidade, a matéria-prima foi submetida a processos de lavagem com água quente. Em seguida, o material passou por uma secagem e foi colocado no reator para carbonatação, última etapa de preparação do carvão ativado.