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Contadores e gestores financeiros debatem Diretrizes Orçamentárias para 2021

Orçamento, teletrabalho e implicações da pandemia da Covid 19 foram debatidos pelos participantes

O segundo dia da Semana do Aprendizado 2020 iniciou com o Encontro de Contadores e Gestores Financeiros. Mais de 80 colaboradores de várias regiões participaram do curso liderado por Leonardo Nunes Ferreira, Chefe da Controladoria do Conselho Federal de Química (CFQ), e Diemes Batista da Silva, Gerente Financeiro do CFQ. A pauta da manhã desta terça-feira (15) foi “Diretrizes Orçamentárias para 2021”.

A proposta orçamentária anual sempre foi de grande importância e parte fundamental do planejamento dos gestores. Com o cenário inesperado de 2020 e as incertezas para o ano seguinte, a construção do orçamento para 2021 tornou-se uma tarefa ainda mais complexa. Leonardo Nunes Ferreira lembrou de algumas previsões feitas para o orçamento atual que não se concretizaram, tanto em despesas quanto em receitas.

Segundo o palestrante, o aprendizado, o pensamento e a reflexão a respeito de orçamento estão em constante processo de evolução no ambiente do Sistema CFQ/CRQs. “Isso está muito claro no orçamento do próximo ano, que será um pouco diferente daquilo aquilo que já víamos. No orçamento, é comum que se trabalhe com base histórica, ou seja, você olha como foi o ano anterior e como está sendo o ano em curso, verifica os índices e os transporta. Assim, você tem o orçamento do próximo ano. Em 2020, não será assim. É um novo momento, um novo olhar, um novo agir dentro das Diretrizes Orçamentárias para 2021”, explicou.

Ao apresentar alguns dados do Observatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre os efeitos da pandemia na economia, Ferreira afirmou que, para o CFQ, os orçamentos de 2021 e 2022 serão afetados pelos problemas causados pela Covid 19. “São dois anos em que precisaremos ficar muito atentos ao que vai acontecer, porque isso reflete na questão de empregos e na capacidade das pessoas de honrar seus compromissos”, destacou.

Na opinião da Contadora do Conselho Regional de Química da 13ª Região (CRQ XIII) Karlla Fabiana Vieira, será uma construção que exige um olhar diferenciado. “Aqui em Santa Catarina, por exemplo, tivemos muitos profissionais e empresas que deixaram de pagar as anuidades. E isso acaba virando uma bola de neve porque soma isso com a despesa do próximo e fica complicado para todos”.

Além das consequências econômicas da pandemia, os participantes debateram sobre o crescimento dos serviços digitais. Nesse sentido, o Conselheiro Federal Gil Anderi fez observação sobre o teletrabalho e as atividades finalísticas dos Conselhos Regionais. “A principal função dos CRQs é a fiscalização e não é possível realizar vistorias pela internet”.

Alguns Presidentes relataram a situação do serviço de fiscalização em suas regiões. As Presidentes Sandra Sousa, do Conselho Regional de Química da 18ª Região (CRQ XVIII), e Suzana Aparecida da Silva, do Conselho Regional de Química da 16ª Região (CRQ XVI), relataram que o serviço foi muito impactado e chegou a ser paralisado em suas sedes e que, aos poucos, está sendo retomado. Já o presidente do Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ XII), Luciano Costa, afirmou que, na sua região, a demanda por fiscalização cresceu em razão da pandemia.

O Conselheiro Federal e Gerente de Fiscalização do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), Wagner Contrera, ressaltou que a vistoria in loco é fundamental. “Nós podemos coletar alguns dados remotamente, mas com certeza o teletrabalho não se aplica à fiscalização”. Ele lembrou que, em SP, as fiscalizações ficaram restritas a denúncias e ao acompanhamento de casos de falsificação de álcool em gel e a utilização de túneis (ou cabines) de desinfecção nos primeiros 60 dias da pandemia.

No que diz respeito às diretrizes apresentadas, foram esclarecidas dúvidas e demonstrados exemplos de como os contadores devem montar suas propostas. A Gerente Administrativo-Financeiro do Conselho Regional de Química da 15ª Região (CRQ XV), Francisca Perla de Sousa, relatou uma dificuldade em relação ao uso de dois índices (INPC e Selic) para o cálculo de reajustes das anuidades, parcelas e multas. “Isso torna inviável que nós, Regionais, possamos adotar um programa próprio de geração de boletos, por exemplo”, explicou.

Sobre isso, o Gerente Financeiro do CFQ, Diemes Batista da Silva, lembrou aos participantes a consulta feita aos Regionais sobre a minuta de Resolução Normativa sobre o tema para o ano de 2021 – o prazo para que os Conselhos opinem vai até o dia 20 de setembro.

Outros temas, como a previsibilidade de aumento salarial com ganho real ou apenas a reposição inflacionária e as formas de apresentação dentro do orçamento, também foram esclarecidos no encontro.

 

Apresentação de tecnologia

No final da manhã, a BR Conselhos fez mais uma apresentação sobre a tecnologia implementada no Conselho Regional de Química da 9ª Região (CRQ IX) e a proposta para adesão aos entes do Sistema CFQ/CRQs, no quesito dados financeiros e dívida ativa.

Em uma explanação detalhada, mais de 80 gestores puderam conhecer as possibilidades do painel financeiro e de interligações internas (com dados do próprio sistema) e externas (com dados de outras plataformas).

A Semana do Aprendizado é voltada para os profissionais e membros do Sistema CFQ/CRQs, e prossegue com atividades até a sexta-feira (18).