Notícias

Condequi encerra com temas sobre educação, pesquisa e sustentabilidade

Foram mais de 50 palestras e cursos durante a terceira edição do evento

Neste ano, o Congresso Online Nacional de Química (Condequi) foi marcado por mais de 50 palestras e minicursos, entre os dias 29 de março e 1º de abril. Totalmente online, o evento trouxe questões atuais e relevantes para profissionais e estudantes. O Conselho Federal de Química (CFQ) é parceiro do congresso desde a primeira edição (2019).

No dia 1° de abril, o destaque foi o tema “Nem todo Químico usa Jaleco: Covid-19 na Era da Computação em Petaescala”, com o engenheiro químico e doutorando pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Matheus Vitor Ferreira Ferraz, que abordou a contribuição da Química no combate ao novo coronavírus.

Durante a palestra, ele apresentou, especialmente, a Química Computacional como uma ferramenta contra a doença. “Desde o início da pandemia em 2020, a comunidade científica se reuniu para encontrar soluções contra a Covid-19, maneiras de detectar e mitigar a infecção. Isso foi possível graças aos recursos computacionais que temos hoje em dia”, ressaltou o engenheiro químico.

De acordo com Ferraz, os supercomputadores conseguem realizar operações matemáticas muito rapidamente. Com estes recursos, é possível estudar o vírus em escala molecular e observar a interação de proteínas humanas com o coronavírus. “O coronavírus é revestido por uma proteína chamada Spike, que interage com a membrana celular humana ECA-2”, explicou.

A Química Computacional modela sistemas e ajuda a compreender a estrutura dinâmica das moléculas e na solução de equações. “A gente consegue simular reações químicas para entender os mecanismos. Também serve para planejar experimentos e fármacos, e processos que envolvem periculosidade, além de gerar economia em custos laboratoriais. As simulações permitem testar e descartar muita coisa”, afirmou.

O pesquisador também descreveu o funcionamento de um microscópio computacional, onde são realizados experimentos da dinâmica molecular. “Descrevemos a trajetória molecular das proteínas. Do ano passado para cá, houve um esforço mundial para aplicar o recurso computacional para criar proteínas e vacinas”, descreveu o engenheiro químico. Neste contexto, Ferraz ressaltou que o Brasil possui o Laboratório Nacional de Computação Científica que tem contribuído com o desenvolvimento em pesquisas de ponta.

Petróleo para educação

Aprofundar conhecimentos sobre a Química do petróleo e refletir sobre os desdobramentos sociais, políticos e econômicos. Estes foram os objetivos principais da palestra “Petróleo para Educação Além da Química”. “Qual é a fórmula do petróleo? A palavra vem do latim: petra (pedra) e oleum (óleo). A teoria mais aceita é que essa fonte de energia tem origem orgânica (plânctons, microrganismos, e celenterados mortos e depositados nos leitos de rios e oceanos) e se acumulou em jazidas”, argumentou a professora Camila Gisele Damasceno Peixoto Morais, formada em Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e doutora em Ciência e Engenharia do Petróleo pela mesma instituição.

Segundo a docente, o ponto de partida é o estudo geológico e geofísico que vai garantir a exploração do petróleo. A segunda fase é a perfuração, com a implantação do poço pioneiro com a realização de testes para verificar se a jazida é comercialmente viável. Uma vez identificada sua viabilidade comercial são perfurados outros poços, que compõem o campo de petróleo. A etapa seguinte é a produção com o processamento primário. Primeiramente, são retiradas as impurezas como, por exemplo, a água. “Nem todo o petróleo é retirado do poço. Uma parte fica como reserva”, explicou.

A próxima fase é o refino. A cada aquecimento e grau de temperatura do petróleo bruto são feitas a destilação e a separação de diferentes produtos como metano, butano, gasolina, nafta, parafina, betume, diesel, entre tantos outros. “O refino não se limita somente à destilação fracionada do petróleo. Existem outras etapas que envolvem bastante tecnologia e que vão ajudar a aumentar ainda mais o rendimento dessas frações”.

A professora Camila apontou que o petróleo não tem fórmula. “Ele é uma mistura de hidrocarbonetos, oleosa, inflamável, com cheiro característico e, em geral, menos densa que a água e com cor variando entre o negro e o castanho escuro”, acrescentou. Ela disse ainda, em sua palestra, que a classificação do petróleo é feita de forma técnica e econômica, a partir da sua densidade (API 10,0 a 31,1), em uma escala numérica: leves, médios, pesados e extrapesados. A quantidade de enxofre também é outra maneira técnica de classificação do petróleo.

O viés econômico ainda é levado em consideração na classificação do petróleo. A cotação no mercado internacional classifica, por exemplo, o petróleo como Brent, aquele extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Valores de Londres, na Inglaterra. Uma outra cotação é denominada de WIT, da região petrolífera dos Estados Unidos, principalmente, do Texas, e negociada na Bolsa de Nova York.

A professora explicou que no Brasil o debate da valorização econômica do petróleo iniciou na década de 1930, com a discussão se deveria existir a participação do capital estrangeiro ou do monopólio estatal. “Os anos se passaram, e vários campos foram sendo descobertos por todo o país, com a criação em 1953 da Petrobras e o monopólio sobre a produção, refino e transporte do produto, que perdurou até 1997, quando se permitiu a participação de empresas estrangeiras na exploração do petróleo em território brasileiro”, contou.

A palestrante destacou a evolução histórica da produção do petróleo no Brasil. A descoberta da camada do pré-sal abriu novos horizontes para a exploração do petróleo em águas marítimas profundas e que se estendem do Espírito Santo até Santa Catarina. Em 2016, o Brasil bateu recorde na produção de petróleo no pré-sal, com 1 milhão de barris por dia. Atualmente, a produção se dá em dois regimes: concessão e partilha, além da distribuição de royalties entre estados e municípios.

De acordo com ela, vários fatores podem influenciar ou não no fim da exploração de petróleo no mundo, como a quantidade de reservas mundiais, o consumo e políticas de investimentos dos países.