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Condequi aborda temáticas atuais para profissionais da Química

Congresso pioneiro no formato online será realizado até quinta-feira (1º)

O primeiro dia do III Congresso Online Nacional de Química (Condequi) trouxe questões atuais e relevantes para profissionais e estudantes. Foram cinco palestras e a abertura, que aconteceu na segunda-feira (29). Mais de 15 mil pessoas participam do evento que segue até quinta-feira (1°). O Conselho Federal de Química (CFQ) é parceiro do congresso desde a primeira edição (2019). Nas duas edições anteriores, foram mais de 45 mil inscritos.

O Condequi, congresso pioneiro no formato online na área da Química, foi criado para auxiliar profissionais e estudantes da área da Química a alavancar suas carreiras. O conteúdo é produzido por profissionais altamente capacitados, com muita experiência de atuação em suas áreas.

Uma das palestras do primeiro dia foi ministrada pelo professor de Química Orgânica da UFF e criador do canal do YouTube Fórmula de Soluções, Leonardo Moreira da Costa. Com a parceria de suas alunas Mayara Barros e Raíssa Ribeiro, ele trouxe ideias para professores de como aplicar a temática da pandemia nas aulas de Química.

Costa diz que se baseou na teoria de David Ausubel, que afirmava que quanto mais conexões forem feitas, mais consolidado será o aprendizado. “Esse pesquisador dizia que o conhecimento prévio do aluno é a chave para a aprendizagem significativa. As aulas têm que fazer sentido para o aluno. Se a gente conseguir usar tópicos que eles já conheçam, ele consegue entender por que está estudando aquilo e como ele pode aplicar na sua vida e na sociedade”, disse.

Uma das ideias trazidas pelos palestrantes foi a abordagem de conceitos de polaridade, solubilidade e ligações intermoleculares falando do sabão, mais especificamente, sobre como lavar as mãos com água e sabão ou sabonete mata o vírus. “Podemos explicar os conceitos da diluição falando sobre água sanitária, quais as proporções usadas para desinfetar cada objeto”.

A análise das fórmulas de alguns fármacos que estão em debate para o tratamento da Covid-19 também foi citada como possível questão para praticar com os alunos. “Você pode solicitar que eles façam a classificação das cadeias carbônicas, classifiquem o carbono presente na molécula, destacar e nomear funções orgânicas e outros”, explicaram.

Química e medicamentos

Durante uma das palestras realizadas no primeiro dia do Condequi, o doutor em Química Orgânica Carlos Alberto Manssour Fraga abordou o tema “O Uso da Química Medicinal na Pesquisa e Desenvolvimento em Fármacos e Medicamentos”.

Ele destacou que, segundo a União Internacional para Química Pura e Aplicada (IUPAC), a Química medicinal é uma disciplina “baseada na Química, envolvendo também aspectos das ciências biológicas, médicas e farmacêuticas. Preocupa-se com a invenção, descoberta, design, identificação e preparação de compostos biologicamente ativos, o estudo de seu metabolismo, a interpretação de seu modo de ação no nível molecular e a construção de relações estrutura-atividade”.

Manssour esclareceu algumas etapas de invenção de novos fármacos. “É um processo translacional multi e interdisciplinar. Nessa engrenagem de descoberta de um novo medicamento, a Química medicinal tem um papel central”.

Segundo o pesquisador, que contribuiu como autor/inventor de mais de 200 artigos científicos em periódicos internacionais indexados e 21 patentes nacionais e internacionais na área de fármacos, a primeira pergunta que o profissional deve se fazer é “que tipo de doença eu quero modular, em que tipo de processo eu quero interferir?”. Já a segunda é: “quais são os alvos moleculares que têm relação com essa doença?”. Para isso, ele pode usar técnicas racionais de planejamento de fármacos, entre elas o bioisotererismo, a hibridação e simplificação molecular e a intuição química – a carga de conhecimento adquirido por esse profissional.

Química é vida

O professor do Departamento de Química da Universidade de Coimbra, doutor em Química Teórica, Sérgio Rodrigues, falou sobre a área em vários aspectos, um deles: a Química na literatura e nas artes. Ele explicou a origem do nome de sua palestra: Química é Vida!. “Certa vez, em um congresso, pedi para que fosse feita uma nuvem de palavras, e a palavra que mais apareceu foi vida, daí esse nome”.

Citando Clarice Lispector, “tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida”, Rodrigues trouxe vários exemplos da Química nas artes. “A Química está em todo lado, e conseguimos encontrá-la realmente em tudo. Na literatura, ela pode ser citada de forma indireta. Em ‘Os Lusíadas’, Camões cita diversas especiarias. Cada uma tem sua molécula, então é Química”.

Outro exemplo de como a Química pode aparecer nas artes é o filme The Constant Gardener (O jardineiro fiel). O professor explicou que a história tem fatos verdadeiros sobre o processo de produção do fármaco Trovafloxacin, que envolveu processos judiciais e grandes empresas do setor fármaco.

Oportunidades e ações sociais

O certificado de participação no Condequi é pago. Parte do valor arrecadado é utilizado para compra de alimentos que são doados para famílias que foram afetadas pela pandemia da Covid-19. Segundo o professor Denny Mesquita, um dos organizadores do evento, em 2020 foram doadas mais de duas toneladas de alimentos.

Mesquita lembrou ainda que os participantes devem aproveitar a oportunidade de fazer networking, interagindo com os palestrantes pelo chat e pelos contatos disponibilizados por eles durante suas apresentações.