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Como atrair o interesse dos estudantes pela Química?

Quando falamos sobre Química, logo pensamos em elementos, moléculas, fórmulas e equações, mas essa área do conhecimento vai muito além disso. Essa ciência está no nosso dia a dia, em pequenas ações cotidianas, no nosso organismo e em tudo à nossa volta. É o que explica a professora de engenharia química da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Maria Tássila Pereira Neves. Ela busca novas formas de ensino para atrair o interesse dos estudantes pela ciência e evitar a evasão escolar.

Por definição, a Química é a ciência que estuda a matéria e suas transformações, mas, de acordo com a professora, quando se explica que ela está presente em todos os momentos da vida, fica muito mais fácil para o aluno compreender e desmistificar a ciência.

“É mais fácil lembrar que a Química faz parte da nossa vida. Tudo que usamos é Química, nosso corpo é constituído de Química. É uma ciência que vai do micro ao macro, do átomo ao universo. Os alimentos são digeridos por reações químicas e, quando doentes, recorremos a medicamentos que são químicos. Também encontramos a Química em produtos brutos, na água, no solo, em metais e manufaturados”, declarou.

É no cotidiano que a professora Tássila tenta despertar em seus alunos um conceito mais abrangente e mais simples da Química. “Meu objetivo é fazer o aluno deixar de decorar e adquirir conhecimento pela pesquisa, análise, observação e busca de resultados. Os indígenas, por exemplo, usam a Química de plantas para a cura de doenças. Eles querem o efeito. O que eu tento mostrar aos alunos é que nós, estudiosos, temos que entender o processo e as propriedades”.

A professora também diz que é importante relacionar a Química aos fatos da história para mostrar que a ciência não se criou da noite para o dia e evolui ao longo dos anos. “Primeiro, o homem fez o fogo, mas só depois veio a descoberta da reação, o aproveitamento e as consequências da descoberta. O mesmo aconteceu na idade do ferro e do bronze. No começo, a tarefa era transformar rocha em metal. Só mais tarde veio a Revolução Industrial que passou a produzir materiais em larga escala. Hoje, é impossível viver sem os conhecimentos que a Química acumulou ao longo dos séculos”, explicou.

Tassila explica que o desafio dos profissionais, principalmente dos professores, é utilizar essas novas abordagens para despertar o interesse dos alunos. “É nosso dever mostrar a Química de maneira mais palpável. Nós não podemos ver os gases, mas podemos ver os balões”, ressalta.