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CFQ faz alerta sobre tratamento de água de piscinas públicas

Com a chegada das férias de verão, o Conselho Federal de Química (CFQ) iniciou uma ação de conscientização sobre a necessidade da presença do profissional da Química no tratamento e controle da qualidade da água das piscinas coletivas. Embora tais atividades possam parecer simples, apenas o profissional da Química devidamente capacitado e registrado em seus respectivos Conselhos Regionais de Química (CRQs) pode garantir a qualidade da água para os banhistas.

O art. 2º, inciso III do Decreto 85.877/1981, que trata sobre o exercício da profissão de químico, determina que o tratamento da água de piscinas públicas e coletivas é privativo do profissional da Química. “É fundamental a conscientização pelos responsáveis de clubes de lazer e similares, que possuem piscinas coletivas, da necessidade da presença do profissional da Química, legalmente habilitado, como responsável técnico no tratamento e controle de qualidade da água (alínea e, art. 4º do mesmo Decreto)”, alerta o presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho.

Segundo a entidade, fatores como a irradiação solar, a quantidade de banhistas, o gás carbônico da atmosfera, materiais particulados e vários outros transportados pelo ar, interferem no equilíbrio químico da água levando à alteração nos valores de acidez e turbidez; à diminuição, e até anulação do quantitativo de cloro residual livre; e à mudança na coloração da água, decorrente da formação de algas ou fruto de reações químicas indesejáveis com materiais da piscina. Se não forem adequadamente controlados, esses fatores de desequilíbrio favorecem a contaminação da água por microrganismos patogênicos aumentando o risco de intoxicações graves, causadoras de várias doenças, que podem, inclusive, levar à morte.

Segurança

O trabalho de tratamento e controle da qualidade da água das piscinas costuma ser realizado pelos chamados “piscineiros”, sem conhecimento suficiente para o exercício dessa atividade. “Infelizmente, a maioria dos problemas de saúde pública e até mesmo dos acidentes com manuseio de produtos no tratamento da água das piscinas não é registrada, o que dificulta as estatísticas no Brasil. Não é algo simples, trata-se de um processo químico controlado que, se mal realizado pode trazer consequências. É aí que se percebe a importância do profissional da Química”, explica a coordenadora técnica de química do CFQ, Gabriela Valença.

“Até mesmo o armazenamento das substâncias químicas que são utilizadas nessas atividades requer um planejamento e conhecimento de suas propriedades para que não haja qualquer tipo de reação que possa por em risco essa atividade de lazer. Por exemplo, o produto ácido utilizado para baixar o pH não deve ser armazenado perto do produto clorado usado na desinfecção e oxidação das substâncias nocivas, pois se houver vazamento do ácido, estes reagirão e haverá desprendimento de gás cloro, extremamente tóxico”, finalizou o presidente.

Estatísticas com morte

Um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, apontou que os surtos relacionados às piscinas no país aumentaram nos últimos anos. Dos 444 surtos de criptosporidiose registrados nos EUA, no período de 2009 a 2017, 156 ocorreram devido à contaminação em piscinas e locais de recreação. Os surtos atingiram cerca de 7.500 pessoas, das quais se registraram 300 hospitalizações e uma morte. A edição nº 54 da Pool-Life Revista da Piscina apresentou quase 40 casos de morte documentados, dentre os quais 21 estavam relacionados à piscina de um spa.

Em 2018, um homem de 38 anos morreu depois que um funcionário de uma academia de natação, em Campinas (SP), misturou dois produtos, um ácido para baixar o pH e um composto clorado para clorar a água, usados tradicionalmente para tratamento de piscinas de maneira individual. A causa da morte foi intoxicação aguda por inalação do gás cloro. Outras nove pessoas também foram afetadas pela reação química, que ataca severamente os pulmões, tendo que ser internadas em hospitais da região.

Ainda em Campinas, a Polícia Civil registrou um caso de crianças intoxicadas por cloro em uma academia da cidade. A Coordenadoria de Vigilância Sanitária do município constatou que o incidente foi causado pela falta de manutenção na bomba que libera o cloro para a purificação da água na piscina. Quando a bomba voltou a funcionar, houve um acúmulo de cloro na piscina, provocando a intoxicação.