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Ceará se destaca em Olimpíadas de Química

Quando o assunto são as Olimpíadas de Química, o Ceará é destaque. Neste ano, as maiores pontuações na Olimpíada Brasileira de Química (OBQ) pertencem aos alunos das escolas de Fortaleza. Vinícius da Silveira Lanza, Marina Malta Nogueira, Cassia Caroline Aguiar e Hana Gabriela Albuquerque foram os quatro primeiros colocados na última fase da nacional. Eles têm em comum o fato de terem se preparado em escolas particulares de Fortaleza (CE). Nos últimos dez anos, o ranking dos medalhistas nacionais sempre conta com um ou mais alunos do Ceará.

Levando em consideração a tradição das escolas cearenses em preparar os alunos para as Olimpíadas, Vinícius nem hesitou e saiu de Brasília no 9º ano para estudar em Fortaleza. Agora, o estudante comemora a decisão e a pontuação que obteve no último certame. “Eu queria muito participar, mas a escola onde eu estudava não tinha uma preparação específica para este tipo de competição. Diferente de Fortaleza, onde os alunos têm uma preparação muito voltada para as Olimpíadas. Fiquei sabendo que havia este incentivo para alunos com este objetivo e fui”.

Com a Hana Gabriela não foi diferente. Ela queria muito ter a experiência da Olimpíada, mas o ensino que tinha na cidade de origem, no Amazonas, não estava a contento do conteúdo cobrado no certame. “Fui informada sobre a possibilidade de estudar em Fortaleza, com bolsa de estudos, alojamento e todo o apoio que precisasse. Não tive dúvidas de que era o que eu precisava e queria”.

Um dos coordenadores da Olimpíada Cearense de Química na Universidade Federal do Ceará e das Olimpíadas Cearense e Brasileira do Ensino Superior de Química, Nilce Viana Gramosa, credita o sucesso do estado nos certames ao fato das escolas investirem neste tipo de preparação. “As escolas investem nos alunos com potencial para medalhas, e isso volta para elas em forma de marketing. É bom para os estudantes, escolas e também para a educação como um todo”.

Nilce considera que as Olimpíadas são um incentivo ao crescimento pessoal dos estudantes, pois, além de adquirir conhecimento, o aluno consegue enxergar novos horizontes. E este incentivo já é perceptível em outras cidades cearenses. “Está acontecendo uma capilarização das ações que antes estavam mais concentradas em Fortaleza devido à colaboração com os institutos federais, que passaram a fazer grupos de estudo, e isso faz com que os alunos percebam que é possível. Com o incentivo das premiações, eles descobrem que a Química lhes dá várias possibilidades”.

Das Olimpíadas para um sonho

Aos 23 anos, Gabriel Ferreira Gomes está começando – oficialmente – a realizar o grande sonho da vida: ser professor de Química. Ele está concluindo o bacharelado em Química na Universidade de São Paulo (USP). Com o início da pandemia e as aulas remotas, voltou para a cidade natal, Fortaleza, onde está dando aulas de Química. E a estreia foi bem na escola onde ele se preparou. “Eu sempre quis ser professor e realizar este sonho no lugar onde estudei e que me ajudou a conquistar medalhas. É muito simbólico para mim”.

Ele começou a participar das Olimpíadas no 9º ano do ensino fundamental. Conta que, à época, a tradição da escola em fabricar medalhistas influenciou bastante a seu favor. “A escola pedia aos alunos que haviam participado de Olimpíadas para dar aulas aos demais. Assim, eu dou aulas desde os 17 anos. E amo. Sempre assisti às aulas na USP pensando em aplicar nas aulas, em encontrar formas de explicar a Química para os alunos. É a minha paixão, e me sinto muito realizado por isso”.

Gabriel foi medalhista pela primeira vez em 2013 na OBQJr. Mas era apenas a primeira etapa de seis fases que o levariam à primeira disputa internacional. Foi em 2015, no Azerbaijão, de onde ele voltou com uma medalha de bronze. E também disputou a Ibero-Americana, no Piauí, onde conquistou o ouro pelo Brasil.

“Acho que se não tivesse participado das Olimpíadas de Química, não saberia que gosto tanto de Química. Foi o que me fez escolher a minha carreira. E percebo isso também nos alunos: muitos, também motivados por esta competição, estão seguindo a carreira de Ciências, uma área que não é muito difundida e valorizada no Brasil. Eles descobrem o quanto é fascinante e procuram as melhores universidades para seguir no que gostam”.