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Carvão ativado: alternativa contra a geosmina presente na água no RJ

A crise de abastecimento de água no Rio de Janeiro, que há algumas semanas se verifica pela distribuição do líquido nas torneiras em condições aparentemente impróprias para o consumo, obriga a sociedade a buscar soluções para dispor de água adequada para o uso.

A água fornecida para a cidade do Rio de Janeiro e para municípios da Baixada Fluminense por meio da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) chega às casas dos consumidores com cor e cheiro desconformes, resultado da presença da geosmina. A geosmina é um composto orgânico produzido pela bactéria Streptomyces coelicolor– uma bactéria presente no solo, bastante comum e responsável pelo conhecido “cheiro de terra molhada”: geosmina pode ser traduzido como “cheiro de terra”.

Especialistas avaliam que a solução mais indicada para as famílias consumidoras do Rio é o emprego de filtros de carvão ativado: diferentemente dos modelos porosos, como os que empregam “velas” ou areia em sua composição, os filtros de carvão ativado promovem reações químicas que retiram a geosmina e devolvem às águas as condições de potabilidade: inodora, incolor e insípida.

Filtro comum retém partículas maiores

O presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho, alerta que o ideal seria passar a água por um duplo processo de filtragem, por filtro de areia ou poroso e, depois, pelo de carvão ativado.

“No momento, a principal alternativa que temos é o emprego do filtro de carvão ativado. Ele tira cheiro, tornando a água insípida, inodora e incolor. Mas o melhor é que ela passe primeiro pelo filtro comum, para reter as partículas maiores”, afirmou Oliveira Filho.

Rafael Almada, presidente do Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ III), que atua no Estado do Rio, aponta que o filtro é uma alternativa doméstica para reduzir os transtornos da água com geosmina, embora o problema da distribuição represente um desafio muito maior.

“O problema é maior, mas (o uso do carvão ativado) ameniza o impacto da água que está chegando na rede. Na avaliação que a gente tem feito, acreditamos que a água não deveria ter saído da estação de tratamento nessas condições. O uso do carvão ativado ameniza a chegada desses compostos orgânicos na alimentação e nas bebidas das famílias do Rio de Janeiro”, afirmou.

O presidente do CRQ III explica ainda porquê o carvão ativado é eficaz, ainda mais quando associado aos filtros comuns:

“Quando você utiliza um filtro de carvão ativado associado, ele vai tirar a parte sólida e os compostos orgânicos. No caso dos compostos orgânicos, eles vão reagir quimicamente com o carvão e, por interação intermolecular, eles vão ficar retidos na parede do carvão”.

CRQ do RJ acompanha caso da Cedae

Outra autoridade no assunto é o professor e pesquisador doutor Jorge Antonio Barros de Macedo, especialista no tema e autor de 19 livros, muitos sobre a química empregada no tratamento de água para o consumo. Ele faz um alerta sobre o aumento dos custos envolvidos na limpeza da água.

“O custo da água vai subir porque a concentração de geosmina nos parece muito alta. Isso vai exigir uma utilização muito grande de carvão ativado porque em determinado momento ele vai ficar saturado”, assinala Macedo.

O CRQ III, segundo Almada, já vem tomando medidas para auxiliar a Cedae e a Sociedade a restabelecer as condições da água distribuída. De acordo com o presidente do CRQ III, desde a semana passada a Cedae já foi notificada para que enviasse as análises químicas produzidas e que garantem a potabilidade da água.

O Conselho Regional convocou ainda sua Câmara Técnica de Meio Ambiente de forma extraordinária, para analisar a situação e, para a próxima semana, está prevista uma vistoria local nas estações de tratamento para verificar se todas de fato contam com químico responsável para garantir a qualidade do produto.