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Brasileiro medalhista da IChO 2020 é aprovado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts

Thiago Veloso embarca para os EUA em agosto, depois de longo processo seletivo

Menos de um ano depois de conquistar a medalha de bronze na Olimpíada Internacional de Química (IChO, na sigla em inglês), o jovem brasiliense Thiago Veloso, de 18 anos, foi aceito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). O ingresso na melhor faculdade do mundo, segundo o QS World University Ranking, é só o começo da sua carreira. Ele sonha alto, e planeja cada passo necessário para alcançar seus objetivos. Depois de um ano de processo e uma vida de preparação, ele foi aceito pelo MIT no dia 14 de março deste ano.

O interesse de Thiago pela Química (e as Ciências) foi fundamental para essa conquista. Além de ter conquistado quatro medalhas em Olimpíadas de Química, ele aprofundou seus conhecimentos ajudando colegas de classe e alunos de outros anos por meio de um projeto de extensão. Ele coordenava aulas extras de Química e espalhou sua paixão pela Ciência.

“É interessante ajudar. Você tem o conhecimento. Por que não auxiliar um colega com dificuldade? Eu fui responsável por fazer experiências práticas nas disciplinas de Ciências, e é gratificante ver como surge uma paixão por aquilo tudo e, com isso, o aumento das notas desses alunos. Não é algo que eu fazia porque preciso fazer, fazia porque eu amo estar ali, gosto de ensinar”, frisa.

Thiago destaca ainda que o apoio dos professores e dos pais é imprescindível nesse processo. “Meus pais foram essenciais nessa conquista. O apoio dos meus professores e amigos também”.

Segundo ele, para participar deste tipo de seleção, é preciso aprofundar mais os conhecimentos, algo que ele fez com sabedoria durante os anos escolares participando de diversas olimpíadas. Foram mais de 25 medalhas, entre elas, bronze na Olimpíada Internacional de Química (IChO, na sigla em inglês), competição com candidatos de mais de 60 países; duas de ouro, com direito a maior pontuação da história da Olimpíada de Química do Distrito Federal (OQDF); prata na Olimpíada Brasileira de Química; duas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP); bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM); duas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA); bronze na Olimpíada Brasileira de Física (OBF); e duas de ouro na Olimpíada Canguru de Matemática.

Diferenças na seleção

O processo para ingressar em universidades americanas é diferente do que é feito pelas instituições brasileiras. Thiago passou por várias etapas, provas e documentações até o resultado final. “Não é algo que você faz rápido. Estou há mais de um ano nesse projeto. É necessário planejamento e auxílio. Eu contei com mentorias externas para traçar o caminho que começa com a escolha de quais universidades você vai aplicar, passa pelas provas, entre elas a de proficiência em língua inglesa, cartas de recomendação de professores e outros”, detalha.

Outra diferença entre o processo de seleção para o MIT é o fato de que não são avaliados apenas o conhecimento e as notas do candidato, mas seu histórico escolar, oportunidades, atividades extras. “A seleção verifica você no seu contexto, se, nas suas condições, na sua escola, você aproveitou todas as oportunidades”, explica. Pode-se dizer que a seletiva não é uma competição entre todos, é uma construção durante o período escolar. “Eles não vão comparar você com uma pessoa de São Paulo ou do Amazonas. Eles vão avaliar você. Sempre digo que a competição é com você mesmo”.

Ele conta que um dos pontos avaliados na seleção é o envolvimento do aluno com sua comunidade, com a sua escola. A experiência de Thiago, como coordenador da área de Química no projeto de apoio a outros alunos no colégio em que estudava, foi fator relevante para o sucesso nessa jornada.

Para atingir todos os requisitos de ingresso na universidade dos seus sonhos, Thiago garante que a palavra-chave é planejamento.

A mudança

Se a pandemia permitir, Thiago vai para os Estados Unidos em agosto para iniciar o primeiro ano letivo. Ele destaca que um fator essencial para que isso seja possível é a bolsa que a universidade lhe ofereceu. “Eles foram generosos, e terei uma bolsa com todas as despesas pagas: moradia, alimentação, transporte, mensalidade e tudo que um aluno precisa para se manter estudando lá”. Em geral, cursar faculdade no MIT ultrapassa US$ 60 mil por ano, sem contar as despesas extras.

Sonhos

Quando perguntado sobre o futuro, ele se mostra determinado. “Eu quero abrir uma empresa na área de biotecnologia e me tornar ministro da Ciência ou da Educação no Brasil. Quero trazer o conhecimento que vou adquirir lá para o meu país. Estudar fora é legal, mas o Brasil é a minha casa”, finaliza.