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Brasil tem boas condições para transição energética

Como fazer uma transição energética no Brasil? Qual a importância dessa ação para o meio ambiente e como isso afeta cada cidadão? Esses foram alguns dos questionamentos que permearam a noite desta segunda-feira (10), durante transmissão da live “Transição Energética e seus Impactos”, promovida pelo Conselho Regional de Química 3ª Região (CRQ III), por meio da Câmara Técnica de Petróleo e Gás (CTPG).

O evento online teve como palestrante a professora doutora em planejamento energético e mestre em tecnologia da informação, Fernanda Delgado de Jesus. A mediação ficou por conta de Melissa Perón de Sousa, Engenheira Química e membro da Comissão. Participaram também da transmissão o coordenador da CTPG, Márcio Franklin de Oliveira, e o presidente do CRQ III, Rafael Almada, que deu início à live.

A professora explicou que a transição energética é um processo longo e que, antes de tudo, precisa ser compreendido.  “Todos os países do mundo já passaram por transição energética, como foi do carvão para o gás e petróleo, por exemplo. Agora a mudança consiste em utilizar combustíveis menos intensivos em gases emissores de efeito estufa. Se queremos estabilizar a temperatura da Terra, dentro de um prazo, é necessário diminuir o consumo.  Além de seguir em direção aos renováveis, como eólico ou solar”.

Sobre a transição energética no Brasil ser mais fácil ou difícil do que em países desenvolvidos, Fernanda é otimista, e ressalta que temos bastante dever de casa a ser feito. Segundo ela, o Brasil já está fazendo esta transição energética, afinal, os  percentuais de fontes renováveis de energia estão dentro da matriz energética. “O Brasil ocupa uma posição que a maioria dos países gostariam de ocupar, especialmente, quando se compara estes percentuais com os mundiais. Estamos à frente porque aqui temos uma miríade de energéticos. Tem a [energia] eólica, solar, hidrocarbonetos, e biomassas, por exemplo. O nosso problema está em como administrar estas riquezas. Não temos escassez, mas carecemos de um uso mais inteligente dessas energias”, reiterou.

Sobre os exemplos de progresso, sobretudo em países europeus, ela é enfática: “Não existe uma solução que seja boa para todos os países”. Segundo a especialista, nem todas as ações implementadas em outros países são, necessariamente, as melhores alternativas para o Brasil “Nossas soluções devem primar pelas nossas expertises, a começar pelos biocombustíveis. E nisso, já saímos muito na frente, por investimentos que fizemos na década de 80.  Independente se foi um investimento feito em direção à questão ambiental ou não, foi uma decisão de planejamento energético”.

Para Fernanda, é necessário ficar atento às especificidades de cada país, principalmente,  quando o assunto é mudar a forma de consumo dos combustíveis.  Ela pondera, ainda, para pensar nos fatores econômicos e históricos que estão intrinsecamente ligados a esta área. “Não é possível pensar em acabar com fontes de energia, como usinas e minas de carvão, de uma hora outra para outra, sem um planejamento estratégico. É necessário um olhar mais abrangente, que contemple a população daquela região, que vive daquela matéria-prima há muitas gerações. Você não pode simplesmente tirar o sustento de famílias sem pensar em soluções. É um processo social também, então, o planejamento deve olhar o todo quando se fala em transição energética”, finalizou.