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Biofertilizante nanotecnológico rende prêmio de inovação a equipe de químicos

A Sociedade Brasileira de Química (SBQ) premiou uma equipe da Universidade de Brasília (UnB) pela criação de um biofertilizante nanotecnológico. O agraciado foi o professor e pesquisador Brenno Amaro, graduado em Química, pós-doutor em biotecnologia molecular e celular. Ele é um dos inventores de um fertilizante bem diferente: puro, atóxico e capaz de enriquecer alimentos com micro e macro nutrientes, além de aumentar as produções de diversas culturas.

O biofertilizante foi desenvolvido, inicialmente, em uma startup da Universidade de Brasília (UnB), por meio de parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O parceiro de Amaro, Marcelo Rodrigues, também é professor do Instituto de Química (IQ) da UnB, e os dois deram início ao projeto usando como base a nanotecnologia aplicada à farmácia, trabalho que já desenvolviam com a equipe do Instituto.

Para Amaro, este é o ápice de um trabalho feito em conjunto por pesquisadores e que vem coroar a Instituição. “Além de uma satisfação pessoal, é o resultado de um trabalho em equipe muito forte, que vem sendo feito desde 2011. E a premiação é muito importante também institucionalmente, por trazer para a UnB o reconhecimento de que aqui se faz um trabalho muito bom de inovação”, comemora.

A estratégia da nanotecnologia já era usada na indústria farmacêutica para identificar proteínas-alvo no ser humano, pontos específicos de atuação de um fármaco. Com base nisso, a equipe desenvolveu a arbolina, um produto que ativa o metabolismo e melhora as condições fisiológicas da planta. Em testes feitos com tomate e alface, por exemplo, houve ganho de cerca de 20% na produtividade, após seguidas aplicações do produto. O resultado geral é o aumento de 5 a 8% em cada aplicação.

“A arbolina é uma nanopartícula de carbono constituída, basicamente, por 80% de carbono orgânico. O grande diferencial são as moléculas da superfície. As proteínas envolvidas no crescimento da planta dependem de uma composição de superfície bastante homogênea. É isso o que garante a reprodutibilidade. Então, a arbolina age como se fosse um fármaco”, explica ele.

O produto é aplicado em pequena quantidade (100 mg/l) na calda final que é utilizada na lavoura.  A substância funciona como um carreador de nutrientes que permite uma saúde melhor para a planta e a ajuda a ativar enzimas e proteínas. O produto é efetivo em qualquer tipo de cultura, já que atua no mecanismo de proteínas que são comuns a todo tipo de plantas.

Após o licenciamento da substância, os pesquisadores criaram a empresa e já estão comercializando a arbolina, um dos produtos oferecidos pela empresa da qual Amaro é sócio. O lucro obtido com a venda do biofertilizante é revertido para a UnB e para a Embrapa. “A comercialização retorna em forma de pagamento de royalties. E assim vemos a tecnologia gerada na universidade voltando para ela e levando progresso para a sociedade”.

A cerimônia de premiação será no dia 24 de novembro e a transmissão pode ser acompanhada pelo site da SBQ.