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“As empresas e profissionais da Química ajudaram muito para que o Brasil não entrasse no caos”

Presidente do Conselho Regional de Química da XII Região (CRQ XII), responsável pelas atividades da Química nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Luciano Figueiredo de Souza tem inteira noção da responsabilidade que carrega. “É uma estrutura grande”, afirma, sobre o CRQ com 9.859 profissionais e 2.248 empresas registrados.

Atuando na área da Química Forense, habituado à análise atenta dos fatos, Luciano não esmorece diante dos desafios – ainda que sejam enormes, potencializados pela pandemia de Covid-19. Oriundo de uma família que sempre o apoiou no estudo da Química e moldado na diversidade da prática profissional nos setores público e privado, ele reitera que o campo profissional que ama é também um celeiro de oportunidades. Leia a síntese da entrevista:

1) Como é possível caracterizar a Química em Goiás, Tocantins e Distrito Federal? Quais setores são os mais representativos?

Luciano Figueiredo de Souza – Nosso regional possui uma grande diversidade de áreas de atuação para o profissional, como por exemplo empresas do setor sucroalcooleiro, bebidas e alimentos, mineração, metalúrgica, domissanitários, cosméticos, laticínios, prestação de serviços diversos na área da química, dentre outras. Temos muitos profissionais também na área de controle de qualidade da indústria farmacêutica, principalmente em razão do polo farmacêutico na cidade de Anápolis, localizada próxima a Goiânia. Goiás, Tocantins e o Distrito Federal contam ainda com diversas estações de tratamento de água, de efluentes e laboratórios que prestam serviços de análises químicas. É justamente nesse sentido que a nossa fiscalização deve atuar, pois além de proteger a sociedade de produtos e serviços irregulares, quando temos um novo registro de empresa, ele representa oportunidades, abrindo um campo de trabalho excelente para o profissional químico.

2) E a atuação do seu CRQ? Qual tem sido o foco de atuação e quais são os desafios?

Luciano Figueiredo de Souza – Como nossa área de atuação é grande, o desafio consiste em manter a fiscalização funcionando efetivamente, principalmente ao longo de todo este período que estamos vivenciando. Estamos buscando parcerias com outros órgãos visando justamente fortalecer essa nossa atuação. Nesse período de pandemia, focamos nossa fiscalização nas empresas da área de saneantes e cosméticos, justamente em razão da enorme demanda de álcool gel/líquido e das diversas denúncias de irregularidades que recebemos. É importante que as empresas sejam fiscalizadas e que a gente consiga inibir, tanto a empresa clandestina quanto o exercício ilegal da profissão de químico. Estamos trabalhando muito nesse sentido, mas o grande desafio é operacionalizar tudo isso. Não é fácil, principalmente neste momento em que a gente vive. É uma responsabilidade enorme estar à frente dessa estrutura e fazê-la funcionar adequadamente, mas temos tido sucesso nas diversas ações que estamos implementando.

3) No seu entendimento, como tem sido o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no setor? Como avaliaria os impactos?

Luciano Figueiredo de Souza – Tivemos um impacto realmente forte aqui em nosso regional, principalmente nos meses de abril e maio. Iniciamos agora uma retomada, mas ainda de forma modesta. Um dos problemas que vejo é justamente essa enorme incerteza que existe na condução das ações de enfrentamento da pandemia. Os empresários e trabalhadores das empresas e comércio de modo geral, ficam meio perdidos sobre como conduzir o seu negócio e dar sequência nos trabalhos. A gente espera que a retomada venha com a flexibilização e, posteriormente, com o retorno do pleno funcionamento de todos os estabelecimentos. Somente assim, novas oportunidades de emprego surgirão para os nossos profissionais.

4) Como descreveria a sua experiência pessoal na Química?

Luciano Figueiredo de Souza – A Química sempre esteve presente na minha vida. Sempre gostei da disciplina e tinha uma afinidade grande. Meus pais nunca interferiram nessa questão, me deram liberdade para que eu escolhesse e pudesse fazer minhas opções. Quando chegou o momento de entrar no curso de nível superior, escolhi justamente o curso de Química. Eu queria trabalhar na área industrial e foi o que eu fiz. Trabalhei em duas empresas de grande porte, sendo uma do ramo alimentício e outra do setor farmacêutico e, depois disso, passei num concurso público – entrei para a Polícia Científica e exerço atividades na área de Química Forense, atuando como Perito Criminal. Nas indústrias, atuei na área de controle de qualidade, tanto de produtos acabados quanto de matérias-primas e embalagens, o que foi uma experiência e um aprendizado muito grande à época.

5) Como será a Química depois da pandemia? Há motivos para otimismo?

Luciano Figueiredo de Souza – Ainda estamos neste momento de incerteza, mas a gente observou, desde o início da pandemia, que as indústrias e os profissionais químicos têm atuado de forma intensa. As empresas e profissionais da química ajudaram muito para que o Brasil não entrasse no caos. Segmentos industriais da área de saneantes e alimentos atuaram fortemente para superar esse momento tão delicado. Eles foram fundamentais para nos dar o suporte e evitar que a gente entrasse numa situação pior. A Química nos deu ainda condições para que isso fosse melhorando no decorrer do tempo. Imagine se no início da pandemia, em meio a todas as dificuldades e adversidades, a gente tivesse falta de alimentos e produtos químicos para combater a propagação do coronavírus… Foi um momento inicial muito difícil para todo mundo e, principalmente, para quem atua nessas áreas. Eles não podiam parar de maneira alguma e foi fundamental que se mantivessem em pleno funcionamento.

6) Qual mensagem o senhor deixaria para profissionais e estudantes de Química?

Luciano Figueiredo de Souza – A Química é fantástica. Ela nos dá muitas possibilidades e nós temos muitos segmentos de atuação profissional. E, justamente por isso, fica mais fácil você conseguir entrar no mercado de trabalho, devido a esse vasto campo de atuação. Se o profissional não gosta de controle de qualidade, ele pode ir para área de produção. Se ele não gosta de produção, pode ir para área de gestão. Esses são somente alguns exemplos que podemos citar da atuação do profissional químico. Sabemos também que a indústria química vem passando por um momento de recessão, sofrendo com a queda na produção, os números vêm demonstram isso. Mas é um segmento muito forte no país e, certamente, teremos uma retomada e oportunidades de emprego surgirão ao longo do período com o incremento de novos investimentos no setor. Esperamos que isso passe rápido para que a gente possa retornar às atividades com segurança e contribuir para o fortalecimento do nosso país.