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Análises químicas podem ajudar a elucidar vazamento de óleo no litoral nordestino

A análise geoquímica do óleo derramado na costa brasileira e o estudo de correntes marítimas podem ajudar a elucidar há quanto tempo o óleo está em contato com a água do mar. A expectativa é de que, a partir dessa informação, seja possível averiguar como ele veio parar no meio ambiente. A avaliação é do oceanógrafo químico da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Gilberto Fillmann, que está acompanhando o caso.

“A composição do óleo é, basicamente, a identidade do óleo. Os marcadores moleculares funcionam como impressões digitais. Baseado na presença dessas moléculas, que são bastante estáveis, elas vão dar uma idéia da origem do óleo”, explica o professor. Com o mapeamento dos poços de petróleo em mãos, é possível rastrear de que poço ele foi extraído e de acordo com a composição química do óleo saber uma estimativa de quanto tempo ele está no mar. “Se for um óleo fresco, ele vai ter muito mais compostos leves. Se for antigo, os compostos serão mais pesados”, avalia Gilberto.

Mas o que mais preocupa o professor são os efeitos da poluição em longo prazo. “Se essas manchas atingem uma área de manguezal, por exemplo, é praticamente impossível fazer um trabalho de remoção. Os resíduos serão incorporados aos sedimentos gerando uma toxicidade crônica. Portanto, nesse momento, é urgente que haja um trabalho para evitar que o óleo chegue a esses mananciais”, declarou.

Universidade auxilia Marinha com estudo de impacto

O Laboratório de Análise Numérica e Sistemas Dinâmicos (LANSD) da FURG desenvolve, a pedido do Centro de Hidrografia da Marinha, um estudo de modelagem numérica com o objetivo de estimar a localização exata em que foi lançado ao mar o óleo que atinge o litoral Norte e Nordeste.

Serão dois relatórios. O primeiro foi construído com a utilização dos dados de ocorrência de óleo na costa, atualizados em 27 de setembro pelo Ibama. Através da análise destes dados, foi sugerido que o derramamento e/ou vazamento de óleo pudesse ter ocorrido em diferentes setores da plataforma continental ou da região oceânica, devido à sua distribuição espacial e evolução temporal.

Além disso, foi possível verificar que três diferentes áreas do litoral brasileiro possuíam maior probabilidade de terem sido diretamente afetadas por um derramamento e/ou vazamento de óleo no mar. No segundo relatório serão discutidas algumas simulações de deslocamento e intemperismo do óleo, que vêm sendo realizadas para estimar possíveis pontos de vazamento.