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Abiquim: utilização da capacidade instalada da indústria química é a menor já registrada

A indústria química brasileira atingiu, em julho, o maior nível de ociosidade nos últimos dez anos e o menor índice de utilização da capacidade instalada já registrado. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que apura esses dados sistematicamente desde 1989 e divulgou os dados mais recentes nesta semana. Os indicadores reforçam a apreensão do setor, que ainda projeta um déficit recorde na balança comercial da química ao final de 2019.

Segundo o levantamento da Abiquim, o uso da capacidade instalada de tipo industrial chegou a 65% em julho. O resultado faz com que o índice acumulado desde janeiro seja de 70%, contra 76% no mesmo período de 2018. Com isso, o percentual de ociosidade chega a 30%, configurando o pior quadro em uma década.

Houve também queda na produção do setor industrial químico, com redução de 3,55% entre janeiro e julho, em comparação com o mesmo período do ano passado. No caso das vendas internas, a baixa foi de 0,49%.

Na avaliação da entidade, o desempenho insatisfatório resulta da baixa competividade do setor no Brasil, resultante da carga tributária e dos custos da energia, das matérias-primas e da logística empregadas pela indústria química. O reduzido nível de utilização da capacidade instalada tende a agravar a perda de competividade, alerta a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira.

“Para o setor químico, que opera em regime de processo contínuo, não sendo possível desligar equipamentos ou diminuir a produção abaixo de um determinado nível, esse cenário significa piores desempenhos operacionais e custos unitários de produção ainda mais elevados”, argumenta Fátima Ferreira, em nota divulgada pela Abiquim.

Ainda de acordo com a Abiquim, o déficit em produtos químicos na balança comercial totalizou US$ 31,4 bilhões nos últimos 12 meses e poderá ser recorde em 2019. Em julho, as importações de produtos químicos somaram US$ 4,5 bilhões, recorde mensal em toda a série histórica de acompanhamento da balança comercial. Para especialistas, a única saída é o desenvolvimento da indústria de base e a criação de um ambiente de negócios favorável para atrair investimentos.

O déficit comercial de US$ 31,4 bilhões acumulado de agosto de 2018 a julho deste ano é inferior apenas ao recorde de US$ 32 bilhões em 2013. Cresce a percepção de que o patamar de seis anos atrás será superado negativamente ao fim de 2019 – apesar da ligeira recuperação do crescimento econômico brasileiro e em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Outros indicadores reforçam a apreensão no setor. O Consumo Aparente Nacional (CAN), que mede a demanda nacional por produtos de uso industrial, caiu 6,2% entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo intervalo de 2018. Além disso, considerando a média dos últimos 12 meses, 40% dos produtos químicos de uso industrial vendidos no Brasil vieram do exterior. Trata-se do maior percentual de importação de artigos dessa natureza nos últimos 30 anos.

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