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A tabela periódica vira uma brincadeira em um método inovador de ensino

Aprender Química como uma brincadeira. Esta é a proposta lúdica do professor Dionisio Silva Gomes, que leciona a disciplina no Complexo Integrado de Educação, na cidade de Eunápolis, na Bahia. Com mestrado profissionalizante em Química, o professor Dionisio encarou como um desafio inovador passar o conhecimento da tabela periódica, ícone da Química, de forma descontraída. “É possível unir o lúdico ao ensino tão metódico e rígido como a Química”, contou o docente. 

O professor Dionisio criou um jogo, que chamou de “Tabelando & Classificando Periodicamente”, no qual é possível passar o conhecimento da tabela periódica aos seus alunos do Ensino Médio. A ideia surgiu ao verficar as dificuldades no aprendizado da disciplina de Química, além de constatar que os jovens possuíam um certo grau de apatia, e até trauma, pela forma que foram obrigados a trabalhar a tabela periódica de forma repetitiva e engessada.

A brincadeira consiste numa espécie de jogo de memórias, no qual o aluno vai adquirindo conhecimento à medida que avança nas etapas. O “Tabelando & Classificando Periodicamente”, que fez parte da tese de mestrado do professor Dionisio, é composto de dois jogos de baralhos de 54 cartas cada, quatro conjuntos de Cartões, no formato carta, contemplando o 72 elementos (para o nono ano do Ensino Fundamental, e 1o ano do Ensino Médio) e 118 elementos (para os segundo e terceiro anos do Ensino Médio), mesmo modelo da Tabela Periódica.

“O lúdico se apresenta como instrumento motivador, desafiador, promotor de emoções fundamentais para o desenvolvimento do espaço educativo, pois, a ação brincar, está relacionada ao desenvolvimento cognitivo, ao preencher necessidades emocionais, que envolve situações imaginárias, indo além de regras próprias do brinquedo”, escreveu o professor em sua dissertação.

O estudante deve preencher a tabela periódica que está em branco com as cartas que recebeu ou conquistou.  “A pesquisa busca aproximar as Filosofias da Química e da Classificação, o Lúdico e a Taxonomia dos conteúdos no ensino da Tabela Periódica, contribuindo, assim, para melhorar o seu ensino”, comentou o Dionisio.

Essa prazerosa experiência já beneficiou 21 alunos do primeiro ano e 18 estudantes do segundo ano, ambos do Ensino Médio, na instituição de ensino de Eunápolis. 

“Houve momentos desafiantes que o próprio jogo [lúdico] demanda, para que o estudante se sinta valorizado a partir das suas conquistas. Também, houve momentos de perdas, e neste momento, coube a mim, como professor-pesquisador utilizar de artifícios que motivassem os alunos a encararem os obstáculos como desafios, bem como, momentos gratificantes em que percebíamos o quanto as respostas demonstraram reais ganhos educacionais, especialmente, quando comparamos alunos que não conseguiam dar uma resposta concatenada. De repente, estavam mostrando um domínio de conhecimentos sobre elementos químicos e justificando suas respostas”, explicou o professor.

O jovem de 20 anos, Luan Lima Pinheiro, disse que teve uma reação de reflexão. “A brincadeira me ajudou bastante com a matéria, e a memorizar mais fácil.” 

“Foi bem legal, eu achei que seria uma coisa boba, mas foi difícil, divertido e interessante. O jogo me ajudou com várias dúvidas e curiosidades. A gente aprende brincando”, relatou a estudante Emilly da Silva Oliveira, de 18 anos.

Para o professor Dionisio, a Química se sobressai sobre as demais disciplinas. “Acredito que o ensino de Química deveria ser continuado, semelhante ao de Matemática, pois para subir cada degrau ou patamar desta escada do conhecimento depende, na sua maioria, dos antecessores”, concluiu.