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“A Química está aí pra trazer as soluções de que a sociedade precisa”

Para a presidente do Conselho Regional de Química da 19ª Região (CRQ XIX), Lúcia Raquel de Lima, ou simplesmente “Raquel”, é importante que o diálogo entre empresas, instituições de ensino e o próprio Conselho se fortaleça: e promover essa aproximação é um dos objetivos a que ela se propõe.

Ativa e inquieta, Raquel se desdobra para ajudar as empresas e a comunidade da Paraíba enquanto constata os impactos trazidos pela pandemia do novo coronavírus que, segundo ela, foram nocivos especialmente para as pequenas empresas paraibanas. O CRQ XIX tem 561 empresas registradas e 1.453 profissionais. A síntese da entrevista:

Como se caracteriza a Química na Paraíba? Quais os setores mais importantes?

Lúcia Raquel de Lima – A Química na Paraíba é bem diversificada, porque na verdade aqui não tem muitas indústrias, como nos grandes centros. Nosso polo industrial está mais acentuado na área de calçados, segmento alimentício e de cimentícios.

Com relação ao CRQ XIX, qual é o maior desafio enfrentado neste momento? E qual é a maior conquista da sua gestão?

Lúcia Raquel de Lima –  Eu assumi a gestão há um ano e alguns meses e encontrei muitos desafios. O CRQ XIX passou um tempo inerte em relação às necessidades dos nossos profissionais. A relação da comunicação entre os profissionais, de uma forma geral, precisava ser fortalecida. A partir desse ponto, a nova gestão está reestabelecendo esses laços junto às instituições de ensino, aos profissionais e às empresas.  Confesso que esse é um grande desafio porque precisamos fazer esta combinação de forma homogênea e linear para que o CRQ XIX tenha uma atuação mais dinâmica e funcional, principalmente no que se refere ao nosso cenário atual aqui na Paraíba.

Como foi o enfrentamento da Covid-19 pelo setor Químico aí na Paraíba? Há impactos?

Lúcia Raquel de Lima – Bom, aqui tivemos impacto sim. Muitas empresas foram fechadas, mas a nossa situação de calamidade pública nos fez pensar fora da caixa. Nós do Conselho regional tentamos ajudar algumas empresas de uma forma geral, dando uma contribuição positiva. Porém, muitas empresas estão passando por um momento muito complicado, financeiramente falando. O maior nicho de empresas aqui são microempresas e empresas de pequeno porte. As empresas grandes, multinacionais que estão na Paraíba, não tiveram esse impacto tão direto. Mas as menores, sim, tiveram um revés bem considerável. Isso nós já conseguimos verificar relacionando as nossas receitas aqui no regional.

Qual é a sua experiência, como você foi parar na Química? E também no CRQ. Como isso aconteceu?

Lúcia Raquel de Lima – A minha história com a Química vem desde a época do Ensino Médio, sempre gostei da disciplina, não precisava estudar muito para tirar notas boas e tive excelentes mestres, meus professores foram excelentes. E sempre fui aficionada pelos livros do Sherlock Holmes e um professor em especial era perito químico do IPC (Instituto de Polícia Cientifica) e me disse que se eu me formasse em química poderia atuar como “Sherlock” desvendando crimes através da ciência química. Isso acabou contribuindo para a minha escolha do curso de Química! (risos) Antes de cursar Química, cursei Engenharia de Produção, então houve um tempo em que estava nos dois cursos até concluir a Engenharia de Produção, e a Química ficou como segunda graduação por ter terminado depois. Dessa forma, agreguei as duas áreas para assim me tornar uma profissional mais completa. Porém a Química sempre foi uma paixão, a gente vê que tudo que nos cerca tem Química. A minha relação junto ao Conselho Regional se deu porque sempre tive boas relações com o antigo ex-presidente e ele sempre me convidava para participar do Conselho Regional. Porém, eu não tinha muito tempo porque trabalhava um pouco distante. Gosto de me dedicar àquilo que vou me propor a fazer. E longos anos se passaram até que no final de 2018 o antigo ex-presidente acabou me convencendo a ser uma das candidatas à presidência do Conselho. Acabei ganhando a eleição (risos), mas confesso que não imaginava que ganharia. E eu aceitei este novo desafio. Todos os dias a gente acaba melhorando um pouco mais, é uma melhoria contínua. Então todos os dias eu aprendo uma coisa nova no Conselho e acabamos compartilhando esses conhecimentos.

No cenário pós-pandemia, como vai ser a Química. Há motivos para sermos otimistas?

Lúcia Raquel de Lima – Otimistas todos nós precisamos ser, há a necessidade de pensar de forma mais analítica. Neste cenário pós-pandemia se faz necessário visualizar as novas medidas que deverão ser tomadas, na questão segurança,  higiene, não só pessoal, mas também tudo que nos cerca. Nesse cenário a Química entra diretamente por conta dos produtos que são fabricados voltados para a área de higienização que hoje se tornaram de primeira necessidade. Então o cenário pós-pandemia é um cenário que precisamos planejar bem, para não retrocedermos igual em outros lugares. Nós temos uma nova situação, uma nova vida, uma nova performance e a gente precisa se adaptar. E, com isso, a necessidade de grandes medidas de prevenção e correção a serem tomadas, situações planejadas dentro do regional e sendo repassadas para toda a população da Paraíba, tentando ajudar da melhor maneira possível para que enfrentemos este cenário de pandemia e consigamos ter um saldo positivo de tudo isso.

Que mensagem você deixa para os estudantes e profissionais de Química da Paraíba e do Brasil? Ainda vale a pena estudar Química?

Lúcia Raquel de Lima – Sim, a Química é uma profissão muito bonita e vital para a sociedade, porque estamos presentes em todos os lugares, em todos os segmentos. A Química, como já foi dito pelo presidente do Conselho Federal (José de Ribamar Oliveira Filho), a Química é vida. Ela está em todos os lugares, desde o ar que respiramos até no que vestimos e nos alimentamos é de suma importância que tenhamos profissionais da área da Química, pois nós conseguimos atuar desde o fio de cabelo, que é a área de cosméticos, segmento este que nosso país vem crescendo e se destacando muito, até o dedão do pé, na área de calçados. Então precisamos de grandes profissionais nesta área, pois, ainda temos poucos profissionais. O fato de se achar a Química e as disciplinas de exatas de uma forma geral o “bicho papão” dos jovens na hora de escolher um curso, isso pesa. Na nossa profissão temos muitas opções, porque conseguimos atuar em quase tudo. A Química está aí pra trazer as soluções de que a sociedade precisa e a ciência está aí pra provar as evoluções no campo das pesquisas.