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A Química é indispensável; os profissionais também

Para comemorar o Dia do Químico, 18 de junho, o Conselho Federal de Química (CFQ) divulgará uma série de entrevistas com os presidentes do Sistema CFQ/CRQs.

O primeiro entrevistado é o presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho. Ele fala sobre como a Química é indispensável na vida de todos e sobre a atuação dos profissionais da área na garantia da qualidade e fiscalização de produtos em prol da segurança da sociedade. Além disso, ele aborda a situação vivida pela população brasileira diante da pandemia do novo Coronavírus.

Confira também o posicionamento do presidente sobre as perspectivas para o segmento da Química.

 

A Química é indispensável; os profissionais também

A Química está presente em vários aspectos do cotidiano sem que as pessoas se deem conta dessa importância. O que o senhor destaca como papel da Química no dia a dia de cada um de nós?

A Química está presente em absolutamente tudo que nos cerca. Os elementos químicos são a base de tudo que existe como matéria visível e invisível, do que conhecemos e até do que desconhecemos. Em um recorte um pouco mais restrito, da Química como atividade humana, poderia dizer que a civilização, nosso modo de vida moderno, não teria a menor possibilidade de existir sem a Química. A Química é o fundamento da produtividade agrícola, é a base material de tudo o que utilizamos, sejam os produtos de limpeza, sejam as vestes, sejam aquilo com que nos alimentamos, e, por trás de tudo isso, há um profissional da Química responsável por essas atividades, que é fiscalizado pelo Sistema CFQ/CRQs a fim de garantir a qualidade dos produtos e insumos visando, sobretudo, o bem-estar da sociedade.

 

Os profissionais da Química atuam em indústrias dos mais variados setores, na pesquisa, na formação de outros profissionais, na fiscalização. Gostaria que o senhor por favor comentasse essa gama de atividades ligadas aos Químicos.

Como as atividades relacionadas à Química são inúmeras, os papéis a serem desempenhados pelos seus profissionais também são extremamente variados. No Sistema, podem ser registrados profissionais das seguintes áreas: Química Generalista, Química do Meio Ambiente, Química de Alimentos, Bioquímica, Biotecnologia, Bioprocessos, Química Industrial, Química de Petróleo e Biocombustíveis, Química da Segurança do Trabalho, Papel e Celulose, Química Forense, Química Têxtil, e Química dos Materiais. Acho que essa lista dá bem a dimensão da importância dos profissionais para o país.


Quantos profissionais da Química atuam hoje no país? São graduados em Química, em Engenharia Química? E quais outras profissões?

Estamos trabalhando na atualização desses números no exato momento. Os números que trabalhamos dão conta de 250 mil registros, envolvendo empresas e profissionais. O CFQ na atual gestão tem feito investimentos importantes em relação à tecnologia neste momento. Um dos objetivos é termos esses dados em tempo real. As graduações são diversas, citei na questão anterior. Importante lembrar que há cursos superiores e também técnicos – estes, em muito maior quantidade, formam profissionais para exercer atividades generalistas e atividades específicas, com atribuições diferentes, obviamente.

Com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil, os profissionais da Química ganham muita visibilidade. Como eles têm atuado?

Tratando-se de uma área de atuação bastante ampla, é esperado que os profissionais da Química estejam, inclusive, no front de combate à própria Covid-19. Há profissionais na parte de testagem, no suporte ao desenvolvimento de tratamentos, sem contar com toda a parte do aprimoramento dos EPIs e de produtos de higiene, sanitizantes etc. Tudo isso somado ao suporte dos profissionais à sociedade levando informações confiáveis à população. A atuação dos profissionais de Química tem sido exemplar.

São muitas frentes: produção de álcool e outros produtos, pesquisa sobre o vírus, terapias e vacinas, fiscalização dos fabricantes. Como o Conselho Federal e os Conselhos Regionais têm apoiado os profissionais diante de tantas demandas da sociedade?

Destacaria aqui a própria Química Solidária como elemento de aproximação entre os profissionais e a sociedade. Vejamos: é uma ação que nasceu com a produção de álcool em gel e glicerinado nos estados da Paraíba e do Rio de Janeiro, com adesão dos demais CRQs em seguida, com foco na distribuição à população carente e aos hospitais. Outro aspecto interessante é que a Química Solidária é muito mais ampla, foi muito além da produção de álcool em gel. Seguiu no espírito de combater a desinformação, de fiscalização sobre as práticas. Tornou-se também um forte instrumento de produção de notas técnicas. Destaco aqui a nota conjunta com a ABIPLA, acolhida pela Anvisa, na questão dos túneis de desinfecção. São articulações que beneficiam a população de forma direta e ela tem a percepção disso.

​​​​O que o senhor diria que ficará como legado deste período difícil de pandemia para o país e em especial para os profissionais diretamente ligados à ciência, à saúde e a questões sanitárias, como os químicos?
Nossa experiência, dentro do Sistema CFQ/CRQ, deixa bem claro que há um aumento sensível na percepção positiva das pessoas sobre os Químicos neste momento de pandemia. Esse entendimento de parte da população será um legado importante. Mas tão importante quanto os profissionais cujo trabalho é facilmente verificado é a atuação daqueles que nem sempre se percebe: por trás de todos os produtos, existem responsáveis técnicos, e esses são fiscalizados por nós. Se não zelamos pela qualidade dos insumos, por exemplo, quem se prejudica é a sociedade. Os materiais médicos, por exemplo, são feitos de elementos químicos, o gás oxigênio usado nas UTIs, tudo, absolutamente tudo passo pelo crivo de qualidade dos profissionais da Química. E assim, por exemplo, no que diz respeito ao cimento usado nas construções. Um cimento de baixa qualidade poderia comprometer a segurança dos prédios e das pessoas. Veja o tamanho dessa responsabilidade.

 

Antes da crise, havia o início de uma retomada da indústria no país. Qual era a sua expectativa para a profissão naquele cenário e o que muda agora?

Pediria licença para falar especificamente de alguns pontos importantes para os profissionais de Química, pautas que viemos abordando nos últimos dois anos. Um deles é a atuação que temos tido no campo das relações institucionais. Por força de propostas equivocadas de origem de parlamentares e até do Executivo, nos vimos obrigados a lutar pela indispensabilidade do Sistema CFQ/CRQs e dos conselhos profissionais de forma geral. A PEC 108/19, que ameaçava de morte os conselhos, nos obrigou a uma grande mobilização, por exemplo. Estamos gestionando também junto ao Ministério da Saúde para que o CFQ conste da portaria que estabelece o Conselho Nacional de Saúde. É importante que sejamos reconhecidos também como profissão da área de saúde, é uma bandeira em que estamos mobilizados. É uma lástima que exatamente quando o país enfrentava um problema sério de crescimento econômico outro problema, ainda maior, se sobreponha. Mas temos certeza de que a retomada do mundo e em especial do Brasil se dará com a participação da Química e de seus profissionais. Passará por nós, somos indispensáveis.