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A Química dos óleos essenciais – processos e compatibilidades

Atualmente, muito em moda, os óleos essenciais são extraídos de plantas aromáticas que contém diferentes estruturas moleculares no reino vegetal. Para falar sobre o tema na live do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), na última quinta-feira (17), foram convidadas a engenheira química Enilce Oetterer, formada pela Faculdade de Engenharia Industrial e MBA em Gestão de Negócios com foco em Empreendedorismo; e a tecnóloga de Processos Químicos, Aline Marcolino, pós-graduada em Cosmetologia.

“Essas plantas têm estruturas diferentes entre uma e outra. Algumas possuem estruturas simples, outras mais específicas, dependendo dos componentes químicos presentes que caracterizam essas plantas olfativamente, com diferentes aromas e odores”, disse Enilce Oetterer, também coordenadora da Comissão Técnica de Cosméticos do CRQ-IV.

Enilce iniciou sua palestra explicando que os óleos essenciais são compostos orgânicos voláteis que fazem parte da estrutura das plantas e que trabalham a favor da imunologia, com funções de protegê-las contra pragas, insetos, bactérias, fungos e infecções, oxigenando e nutrindo as células. 

“São denominados de essenciais porque são vitais para a sobrevivência das plantas, e são obtidos das folhas, flores, cascas de frutas, madeiras, raízes e resinas. Essencial porque exala.”

Ainda segundo a palestrante, sobre a composição química das plantas e em relação ao aspecto terapêutico, elas são compostas de alcaloides, taninos, resinas, flavonoides e óleos essenciais. Há também outras substâncias como açúcares, amidos, proteínas, peptídeos e celulose. “Dependendo da aplicação, você vai recorrer a uma planta que tem uma propriedade medicinal relativa a um componente existente.”

Para a adequação do uso dos óleos e extratos vegetais são considerados aspectos e composições como, por exemplo, a região de cultivo da planta, clima, colheita, métodos de extração, princípios ativos e eficácia terapêutica.

A engenheira química apresentou ainda alguns tipos de óleos essenciais, entre eles, o alecrim que possui ação adstringente, indicado para o tratamento de acne e caspa. Também, temos o limão siciliano usado em produtos para combater a celulite e gordura localizada. Já são plantas reconhecidas no meio dermatológico.”

Sobre os processos de extração são usados métodos de destilação, prensagem a frio, solventes e enfleurage, entre outros. “Há séculos os óleos essenciais são usados em todo o mundo para aplicações farmacêuticas, cosméticas e terapêuticas, como na aromaterapia. Os fabricantes de produtos de óleos essenciais estão buscando mais tecnologias, inovações e pesquisas para detectar novas propriedades nos princípios ativos”, revelou a palestrante. 

Para identificar essas novas propriedades são utilizados métodos de cromatografia, tais como, o HPLC e GC. Existem também alguns fatores que influenciam os processos extrativos como a histologia, a absorção do solvente, a maceração e o PH, entre outros. 

“Diante de tantas oportunidades, o que escolheríamos? Qual seria o melhor método, a melhor parte da planta, propriedades físico-químicas? A escolha dos óleos essenciais deve estar adequada à finalidade do uso e aplicação dos produtos e seus requisitos, além do conhecimento dos componentes ativos e benefícios, parâmetros de qualidade, estudo de formulações sobre as características do produto, idoneidade da procedência”, concluiu Enilce Oetterer.

Já a tecnóloga de Processos Químicos, Aline Marcolino, abordou especificamente o controle de qualidade nos óleos essenciais. Segundo a profissional é imprescindível estar atento, principalmente, diante do aumento expressivo da demanda no mercado de cosméticos, saneantes e outras áreas, o que tem levado ao surgimento de alguns problemas como falsificações, diluições e adulterações. “O principal objetivo é confirmar a identidade do óleo essencial”, salientou a tecnóloga.

Para verificar a identidade dos óleos são necessárias análises iniciais dos laudos apresentados pelo fornecedor com o nome científico, origem da região, método de extração e informações sobre as análises químicas. São realizadas ainda análises organolépticas que vão estudar variações de cores nos lotes das essências. “Se no laudo consta que o óleo é da cor amarela e ele chegou para você de forma incolor, o que aconteceu com ele?”

Nas análises físicas são consideradas a densidade, o índice de refração, o comportamento da temperatura, a volatilidade e a miscibilidade. “Por exemplo, o óleo essencial de cedro, se ele foi armazenado durante muito tempo com altas temperaturas, ele pode sofrer cristalização.”

Ao encerrar, a tecnóloga aconselhou os interessados por este tema a buscar referências em documentos científicos disponíveis na Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Essenciais, Produtos Químicos Aromáticos, Fragrâncias, Aroma e Afins (ABIFRAP), na farmacopeia brasileira e em órgãos como a Anvisa.

Assista a live completa em https://www.youtube.com/watch?v=2CfppGA25hw