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A Química brasileira na Academia Mundial de Ciências

A Academia Mundial de Ciências (conhecida como TWAS, da sigla em inglês para The World Academy of Sciences) divulgou recentemente a lista dos 36 novos membros da associação científica. Cinco são professores brasileiros de instituições públicas. E um deles é o professor Edson Antônio Ticianelli, docente do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP). Ele também é membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências.

O professor explica que outros brasileiros já fazem parte da academia. Trata-se de um reconhecimento pela contribuição à pesquisa em diversas áreas de conhecimento no âmbito científico.

Criada em 1983, por Abdus Salam, paquistanês laureado com o Prêmio Nobel em Física, a instituição científica teve entre seus fundadores eminentes pesquisadores brasileiros. Atualmente denominada Academia Mundial de Ciências para o avanço da ciência em países em desenvolvimento, é uma das mais importantes organizações associadas à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Um dos motivos que levaram à indicação do professor Edson foi a relevante contribuição de suas pesquisas na área da eletroquímica – uma das principais linhas do trabalho dele. A eletroquímica estuda os processos que produzem corrente elétrica por meio de reações chamadas de oxidação e redução. E onde está a eletroquímica? “Por toda a parte”, explica ele. “Ela trata de inúmeros fenômenos até os que acontecem no corpo humano, como a transferência de cargas em células”.

As pesquisas do professor se dão mais no campo da geração de energia elétrica a partir de energia química, como é o caso das pilhas e baterias. E ele faz questão de ressaltar que são elementos presentes em nossas vidas. O exemplo mais comum é a bateria do celular e do carro, que é a bateria de íon lítio. “A gente usa muito a eletroquímica todos os dias, em particular na vida moderna. Se podemos nos comunicar com rapidez e nos deslocar ao longo do dia, devemos isso à conversão de energia química em energia elétrica, que move boa parte dos dispositivos que usamos ao longo do dia”.

À medida que o mundo avança em direção às fontes de energia mais limpas e sustentáveis, um dos principais desafios é a conversão eficiente entre energia elétrica e química. O professor explica que o hidrogênio é um elemento de muita importância em sua linha de pesquisa por ser não poluente. “O hidrogênio possui propriedades únicas e é o combustível do futuro. Os veículos movidos a hidrogênio não terão motor a combustão, serão elétricos. E tudo isso é a Química trabalhando em prol do meio ambiente”.

Ainda segundo Ticianelli, o mundo precisa muito dos profissionais que pensam em sustentabilidade. Ele ressalta a importância da ciência para o futuro da humanidade e para a vida que está à nossa volta. “A Química é a base que dá sustentação ao desenvolvimento de medicamentos, processos industriais. São infindáveis as aplicações, pois a Química é quem sustenta a vida no planeta. O ser humano é um complexo emaranhado de Química”, finaliza.