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Presidente da SBQ, Norberto Lopes, vê química como protagonista de plano nacional de desenvolvimento

Em tempos em que o debate sobre preservação do meio ambiente e sustentabilidade são frequentes, a Química nunca foi tão importante para encontrar soluções para o bem-estar da sociedade e o equilíbrio ecológico.

Desfazer o mal-entendido de que a ciência está a serviço da deterioração das condições de vida da humanidade é um dos desafios das entidades ligadas à Química e de seus principais atores. Esta é a opinião do professor da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), Norberto Lopes.

O anfitrião da 42ª Semana Anual de Química, que ocorre em Joinville (SC), é um entusiasta da ciência, sua defesa e aplicação no bem-estar geral da sociedade. Para ele, o ponto inicial do debate passa pela formação de seus profissionais.

“O tema central do nosso evento são os 150 anos da Tabela Periódica. Mas, além dele, propusemos focar nossos debates em torno de uma ação estratégica que impulsione a Química como protagonista de um plano nacional de desenvolvimento econômico”, declarou.

Para Lopes, apenas com a divulgação maciça do segmento é que a sociedade terá clareza de sua missão social e científica. A Química Verde, por exemplo, tem sido o mote da comunidade acadêmica para desconstruir o mito de que o segmento é nocivo à vida das pessoas e ao meio ambiente.

“Vamos exemplificar. Imaginemos uma cadeia de produção de medicamentos. Os processos de produção, geralmente, utilizam solventes orgânicos. Muitos deles são derivados do petróleo e isso acarreta um passivo ambiental. Hoje, temos empresas, principalmente as incubadoras em universidades, tentando substituir esses solventes por aquosos, etanol-água, que são muito mais amigáveis ao meio ambiente”, explicou.

Norberto acrescenta que para que essa mudança aconteça efetivamente, é preciso investimento em pesquisa.

“Há uma noção muito errada que diz que só países ricos investem em pesquisa e desenvolvimento. É o inverso. Quem investe em pesquisa é que fica rico, pois você transforma o resultado em produto”, sentencia. Para ele, a sociedade vem desenvolvendo um entendimento mais maduro sobre o tema e vem compreendendo sua importância.

Porém, para que esses avanços ocorram, é preciso, antes, pensar na formação de capital humano.

“A única maneira de qualquer país do mundo se desenvolver, é através da Educação”, ressaltou Norberto. E foi justamente este o tema do simpósio moderado por ele. No painel Eixos Mobilizadores da Química, Norberto recebeu o professor da UFBA, Jailson B. Andrade e o professor da UFRGS e diretor-presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães.

Em sua palestra, o professor Jailson falou sobre os seis tópicos dos eixos: formação de recursos humanos qualificados; desconcentração regional e combate à endogenia; estímulo ao empreendedorismo e à interdisciplinaridade; vinculação orçamentária de recursos para C&T; aproximação pró-ativa da academia com a atividade econômica; e combate aos gargalos institucionais.

“Os investimentos na formação acadêmica e sua posterior excelência precisam estar na pauta de qualquer nação”, declarou.

Para ele, a formação também precisa acompanhar os novos tempos e resumiu o que as universidades precisam ter em seu radar nas aulas. “Precisamos ensinar nossos alunos a ter pensamento crítico, a serem comunicativos, cooperativos, criativos, éticos e humanistas”, finalizou.

Jorge Guimarães focou sua palestra em inovação e como o Estado pode ser um agente cooperativo na Economia. Ele citou o exemplo da Embrapii, empresa que finaliza projetos de inovação com recursos públicos. A empresa possui, entre suas competências tecnológicas, unidades especializadas em Química.

“Nossas Unidades são como laboratórios que desenvolvem soluções tecnológicas para empresas e os custos são divididos entre as partes com incentivo público não-reembolsável. E a Química é um dos nossos carros-chefe, principalmente na área de fármacos, área muito promissora”, destacou.