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A contribuição da Energia Nuclear para a humanidade

Considerada vilã por ambientalistas, a energia nuclear possui várias aplicações, que vão desde fonte energética, passando pelas áreas de saúde,  meio ambiente, indústria e até no setor cultural. 

A live do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV) desta quinta-feira (10) à noite teve como tema a palestra “Aplicações das Radiações na Indústria, Meio Ambiente, Saúde e como Fonte Energética”, conduzida pelo químico e pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Leonardo Gondim de Andrade e Silva.

“Geralmente associam a energia nuclear a acidentes e explosões. Nessa minha palestra, gostaria que refletissem um pouco sobre a grande contribuição da energia nuclear”, disse o mestre em Química Analítica pela Universidade de São Paulo. 

O professor Leonardo Gondim iniciou sua palestra apresentando o tema fonte energética, destacando as unidades das usinas nucleares de Angra 1 e 2, no litoral do estado do Rio de Janeiro. 

Em seguida, ele destacou os benefícios da radiação nos aparelhos de raios X e os aceleradores de partículas, que são responsáveis, respectivamente, por diagnósticos e na produção de radioisótopos (fármacos) utilizados no tratamento de câncer. 

“Outra aplicabilidade é na radiologia industrial, que é um método de ensaio não destrutivo que se utiliza a radiação. Ela desempenha um papel importante na qualidade do produto inspecionado, pois a imagem projetada do filme radiográfico representa a fotografia interna da peça”, comentou. 

Segundo o especialista, a aplicação de radioisótopos mais conhecida na indústria é a radiografia de peças metálicas ou gamagrafia industrial, se utilizando de três fontes: irídio, cobalto e selênio. 

“As empresas de aviação fazem inspeções frequentes nas aeronaves para verificar se há fadiga nas partes metálicas e soldas, como nas asas e nas turbinas. Outra aplicação é no controle de processos produtivos e medição da corrosão de tubos metálicos.” 

De acordo com o químico, a tomografia industrial é utilizada em controle de qualidade de produtos.

Na área médica, a braquiterapia – um tipo de radioterapia – surgiu como um grande avanço terapêutico com doses rigorosamente precisas e entregues ao tumor cancerígeno, reduzindo o risco de danos a tecidos e órgãos saudáveis. “É um dos métodos mais utilizados.” 

Ainda na área da saúde, o banco de tecidos se utiliza de métodos radioativos (Cobalto 60) para garantir a qualidade (esterilização) do tecido a ser transplantado, como membrana amniótica, pele, osso, cartilagem, tendões e pele de tilápia. O método radioativo está presente também na esterilização de produtos médicos, cirúrgicos e biológicos. 

Até no beneficiamento de pedras preciosas, a radiação está presente, dando um maior valor agregado ao produto com a intensificação das cores das pedras. 

“Outra técnica bastante utilizada das radiações ionizantes é na preservação dos alimentos, visando controlar a deterioração e conservando os valores sensoriais e nutritivos dos alimentos”, garantiu o também pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). O método retarda o amadurecimento, desinfesta o alimento, além de inibir o brotamento de grãos. O alimento não se torna radiativo”, ressaltou. 

No meio ambiente, é utilizada a tecnologia [a radiação] por feixe de elétrons no controle de poluentes para purificação de gases e tratamento de esgoto e lodos, efluentes industriais e gases de combustão. 

Até na preservação de bens culturais (obras de artes, livros, documentos, entre outros), existe a contribuição da radiação. O Ipen possui um irradiador ionizante multipropósito de cobalto 60 que é usado na preservação e conservação de patrimônio cultural. Vários institutos e museus do Brasil já se beneficiaram da técnica. 

Em revestimentos, a radiação elimina solventes e outros resíduos tóxicos. Já a rádiovulcanização do látex traz maior estabilidade aos produtos de borracha. 

O professor Gondim ressaltou que a radiação é capaz de modificar polímeros, melhorando as propriedades mecânicas, térmicas, resistência à abrasão e solventes. Recentemente, o Ipen participou de estudo mundial para a reciclagem de teflon, utilizando-se da radiação.

“Até na pandemia de Covid, a aplicação de radiação está presente com a esterilização, descontaminação e higienização de dispositivos médicos, inclusive, para a inativação do vírus para a produção de vacinas e testes”, finalizou o pesquisador em sua palestra.