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60º CBQ: Água – nosso mais precioso recurso natural: como estamos cuidando?

Na visão da professora e doutora Tânia Mara Pizzolato, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o profissional da Química tem um compromisso com o bem-estar da sociedade e na busca de soluções (métodos verdes) para a preservação do meio-ambiente. 

Especializada no tratamento de efluentes, a professora Tânia participou, na última quinta-feira (18), de uma palestra no 60º Congresso Brasileiro de Química, na qual abordou um estudo realizado entre os anos de 2018 e 2019, no monitoramento das águas do Arroio Dilúvio e Lago Guaíba, que abrange boa parte da região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. “Água é vida, então, precisamos conhecer para cuidar deste bem”, aconselhou. 

Para contextualizar o assunto, Tânia lembrou que, no Antigo Egito e no Império Romano, já havia uma preocupação com a organização das águas. “Na Roma antiga já havia saneamento básico, com a separação da água potável com a de esgoto”, comentou. 

Com a queda do Império Romano, este gerenciamento ficou a cargo do cidadão comum. Na era seguinte, a Idade Média, este conhecimento foi esquecido, conta a professora, e assim surgiram as primeiras grandes pestes e doenças, que tinham como vetor a água.

Após as primeiras descobertas sobre como controlar as doenças originadas em águas contaminadas, o poder público passou, novamente, a supervisionar este bem precioso. “No Brasil é muito recente este processo. O primeiro sistema de abastecimento de água foi feito por Estácio de Sá, em 1561, no Rio de Janeiro. Na situação atual, nós temos o Plano Nacional de Saneamento Básico, que norteia as políticas públicas no setor, a Agência Nacional de Águas e o Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento”, contou.

Contaminantes 

Em seguida do contexto histórico, a pesquisadora começou a detalhar os tipos de contaminantes e poluentes relatados no seu estudo, como os agrotóxicos, os produtos farmacêuticos e de cuidados pessoais, bactérias, metais, entre outros. “A Química Analítica começou a olhar para os resíduos de fármacos no final da década de 1990”, disse. 

Com o monitoramento e a gestão ambiental, os estudos começam a revelar uma resistência microbiana nas águas analisadas. Ainda segundo a estudiosa, o desenvolvimento de instrumentações mais sensíveis e sofisticadas foram fundamentais para reduzir os níveis de contaminação. Além disso, a linha do tempo no monitoramento do nível de contaminação traz indicativos na busca e na melhoria da preservação das águas. “A tecnologia foi essencial para o desenvolvimento da Química Analítica na parte de softwares, com equipamentos cada vez mais sofisticados e de altíssima sensibilidade”, apontou.

Conforme a professora, nos últimos 19 anos, o aumento da utilização de agrotóxicos no Brasil cresceu mais de 300%. Em seu estudo, foram detectados a presença de resíduos de fármacos no Arroio Dilúvio, e de agrotóxicos no Lago Guaíba.  

A ocorrência de fármaco nas águas não tratadas ocorre, em parte, porque uma fração do produto, que não é metabolizada pelo organismo humano, é eliminada pela urina, por exemplo, e a outra pelo descarte incorreto de medicamentos vencidos.

No Lago Guaíba, as amostras revelaram uma quantidade maior de agrotóxicos, já que vários rios do interior do estado deságuam na região hidrográfica da capital gaúcha.

Ao final da palestra, a pesquisadora disse que o Brasil ainda carece de mais monitoramento e estudos. “O químico pode melhorar a qualidade de vida da população”, expressou Tânia Pizzolato.